terça-feira, 17 de outubro de 2017

O risco do xaveco

            Vamos começar do zero: o que é xaveco? Xaveco é a abordagem masculina no intuito de conhecer uma mulher ou conversa de quem deseja conquistar alguém. O que seria de nós se Adão não tivesse buzinado alguma coisa na orelha de Eva?
            O leitor pode estar perguntando: “Mas isso não corre o risco de ser encarado como assédio sexual?”.  Claro que Sim! Nota: o medo de sofrer abusos e assédios sexuais afeta a maneira como 3 em cada 10 mulheres se vestem – segundo pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
            Com sinceridade, aqui vai um conselho aos homens brasileiros: não ponham as mãos nas mulheres sem conhecê-las, sem ter certeza de que o seu gesto de carinho ou de desejo será bem-recebido. Lamentavelmente, ainda existe na cultura brasileira a imagem da mulher objeto. Basta ser mulher e estar no espaço público para, em algum momento da vida, receber cantadas masculinas.
Na minha mocidade, mexer nos cabelos de uma moça desconhecida ou mesmo tocar o corpo dela durante a primeira conversa era aceitável, era um simples xaveco. O pior que poderia acontecer era a garota fechar a cara e ir embora – e muitas faziam isso. Mas isso já faz 40 anos.  Agora a situação mudou.
Tem homem que vê a cantada de rua como elogio. Pensa que a mulher gosta e que está na rua para isso mesmo. Agora, indignada com o ato de invasão de sua privacidade, com liberdade de pôr a boca no trombone, a brasileira tem apoio da lei e disposição pessoal para expor os folgados aos piores vexames – e, algumas vezes, à prisão.
            Muitos caras por aí se acham dom-juam das garotas. Esquecem eles que o cenário em torno do corpo feminino mudou. Não há espaço para contato sem consentimento. Tampouco é aceitável fazer galanteios inadequados à gata cobiçada.
            Na dúvida com a ação do xaveco, desacelere.  E fim de papo.


                                           LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                            lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                              Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Paris: exemplo de mobilidade urbana

            Volto ao tema por me parecer inesgotável. Notadamente quando cravei os olhos naquele texto jornalístico em que destacava que Paris quer ser a primeira metrópole sem carros até a Olimpíada de 2024.
            Para aliviar as agruras do trânsito, Paris já está implantando iniciativas com vistas ao futuro: elevou o preço do estacionamento, criou ciclovias e fez planos para até 2020 proibir a circulação de veículos movidos a diesel. Pois é: 6.500 parisienses morrem por ano devido aos efeitos da poluição. Acontece em grande parte porque a capital francesa foi construída muito antes de existirem automóveis e nunca espaço para eles.    
            Sempre digo: resolver o problema do trânsito nas cidades é um processo de aprendizado. Pensando nisso. A primeira coisa que a prefeitura de Paris vai querer fazer (até as Olimpíadas) é reduzir os 150 mil carros estacionados na rua sem fazer nada. Os táxis sem motoristas (dotado por tecnologia) vão funcionar continuamente, quase nunca estacionando entre uma corrida e outra. Os espaços de estacionamento serão convertidos em ciclovias, terraços de cafés ou playgrounds.
            É importante sublinhar que quase dois terços dos 2,2 milhões de parisienses não possuem carro, cuja opção é andar de metrô. Outra realidade: os ônibus urbanos sem motoristas já estão percorrendo as principais avenidas da cidade. Por tudo isso, Paris, capital do século 19, poderá se tornar a capital do século 21.
            É hora de reconhecer e admitir claramente a barafunda do sistema de transportes nas cidades brasileiras. Ineficiente, ele tem futuro incerto. Mas é preciso ser realmente muito bobo, ou desinteligente, para achar que isso é um problema comum das grandes cidades e sem soluções práticas. Ou seja: uma substancial ignorância sobre o assunto.
Taí a encantadora Paris dando grandes lições de mobilidade. Tornando-se, no futuro próximo, a primeira metrópole mundial pós-carros.


                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                     lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                     Advogado e mestre em Administração


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pânico na Rocinha

            É um problema e tanto o que está ocorrendo na Favela da Rocinha. Uma comunidade de 70 mil moradores sob fogo cruzado, quase 3 mil crianças sem aula. Um verdadeiro bangue-bangue na cidade do Rio de Janeiro a ficar de joelhos para o crime organizado.
            Todos que ali residem estão com medo, assombrados, agachados nas trincheiras que construídas para se isolarem, entregues aos mais variados escapes: de drogas e de bandidagens. O intenso tiroteio entre policiais e criminosos provocou tumulto, pânico e alterou a rotina de cariocas.
            É bom lembrar que a guerra na maior favela do País só tomou essas dimensões por causa da falência do Estado, da omissão das autoridades e do fracasso das UPPs, que foram vendidas como solução para conter a violência.
            Ficará mais difícil, para não dizer impossível, fugir dessa realidade. Um bom programa de primeira infância consegueria ajudar a família inteira da favela, fazendo chegar até ela informações, boas práticas e valores essenciais, como a importância do estudo para a superação da pobreza.
            O colapso da segurança é evidente. A promessa de “pacificar” as favelas, através das UPPs, sucumbiu à corrupção e à falta de planejamento. Com a escala da violência, os moradores perderam a liberdade de ir e vir. Acreditem: às vezes, os bandidos ditam o toque de recolher – todo mundo corre para casa, sem dar um pio.
            Os cariocas estão pagando caro por terem confiados nos seus representantes desonestos e incompetentes que não enxergam longe e não querem o bem dos seus conterrâneos, apenas vêem oportunidades para tirar vantagem própria.
            O debate de ideias e de causas sobre a violência do Rio de Janeiro é mais relevante que as pirotecnias expostas pelas nossas Forças Armadas, uma vez que não têm vocação para manter a ordem pública.

                                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                    lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                      Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Trânsito maluco

            Será que tem jeito isso? Claro que sim! Mas é preciso parar, refletir e agir. Vou direto ao assunto: temos que fomentar a cidadania e a inclusão social por meio da universalização do acesso aos serviços públicos de transporte coletivo, agregado com a qualificação, a ampliação e a infraestrutura.
            Modelo de gestão de trânsito preguiçoso, cruel e ineficiente que vemos por aí, diferentemente, aqui, vamos encontrar como bom exemplo as faixas exclusivas para os ônibus ora introduzidas na Avenida Dom Pedro II. Apesar de algumas críticas (manequeista e até simplória), a maioria significativa da população aprovou a iniciativa da Prefeitura de João Pessoa.
            Uma vez meu professor de colegial, Antônio de Sousa, me falou: quando você não tiver certeza daquilo que fala, não diga nada. Pois bem. Causa-me inquietação é saber, por trás dessas críticas isoladas, o que há são desinformações e intrigas decorrentes da política paroquial. Poxa vida! Isso me apoquenta e me envergonha.
            Na minha incauta opinião, passamos sufoco porque as cidades se planejaram para os carros, ponto. Digno de nota: na capital paulista, 25% da área construída é dedicada a estacionamentos. Constata-se que o carro não é mais símbolo de liberdade. Ao contrário: tem se tornado um fardo. Pesquisa da Box 1824 mostrou que só 3% dos jovens do Brasil, entre 18 e 24 anos, desejam comprar carros e motocicletas.
            A tendência é cada vez mais os indivíduos vão preferir utilizar carros, em vez de ser donos deles, menos carros circularão. Outra opção e de baixo custo, é pedir um transporte por um aplicativo (Uber, 99, WillGo e outros) sempre que quiser e onde estiver, e chegar aonde você precisa da melhor maneira possível.
            Menos carros circulando, as grandes cidades brasileiras terão menos trânsito, poluição e estacionamentos. Consequentemente, serão mais vivas, agradáveis e seguras.


                                     LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                      lincoln.consultoria@hotmail.com
                                              Advogado e mestre em Administração


                

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Retrocesso na educação

            Ora, de tanto ler nulidades, todos os dias, nas manchetes de jornal, nosso âmago está ficando sombrio. Como se não bastasse, os efeitos da crise agora estão atingindo os nossos estudantes: sem dinheiro, estão deixando de se matricular e abandonando cursos.
            Algo idiotizado. Porque não dizer perverso para o conhecimento da futura geração de brasileiros. Pois estamos careca de saber que educação é a mola propulsora para o crescimento e desenvolvimento social e econômico de uma nação. Se educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda – já dizia o mestre Paulo Freire.
            Trata-se de uma questão dramática quando se verifica que as Universidades brasileiras estão no pelotão de trás, revela um novo ranking mundial divulgado recentemente. No geral, o Brasil, que havia emplacado 27 entre as 1000 melhores do mundo, agora tem só 21. Mas não só isso: o número de jovens matriculados no ensino superior também encolheu pela primeira vez em 25 anos.
            As notícias não acabam: a crise econômica, que ceifou empregos e deixou os quem têm trabalho com medo da demissão, tem espantado muitos aspirantes à universidade. Também a taxa de evasão dos que já estão lá dentro saltou 44% em cinco anos, a maioria por não conseguir arcar com as mensalidades. A que ponto chegamos!     
Nossos tropeços educacionais estão custando caro para quem de fato almeja um futuro promissor. Para os países desenvolvidos somos tratados como seres apáticos desprovidos de inteligência. Como batessem palmas para a nossa mediocridade.
Não podemos xingá-los por tal atitude, uma vez que a própria ex-presidente Dilma Roussef não consegue lembrar o título  do livro que tanto havia impressionado na semana anterior, ou ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.
Não acho: minha convicção é que temos uma eterna síndrome de pequenez na educação.

                                      LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                        lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                Advogado e mestre em Administração

        

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A violência sexual

            Começo com um exemplo surreal. Em Uriçuí (sul do Piauí), uma grávida de 15 anos foi estuprada por três adolescentes, e o namorado, morto na sua frente. Em outro caso: um vídeo que circulou nas redes sociais, quatro rapazes estupram uma menina de 12 anos numa comunidade localizada na Baixada Fluminense, no Rio.
            Não é à toa que nesse caldo (do estupro) viceja deterioração e desmoralização a nossas autoridades policiais e judiciais. Cumpre notar que a violência sexual contra a mulher é um crime invisível, há muito tabu por trás dessa falta de dados. Muitas mulheres estupradas não prestam queixa. Às vezes, nem falam em casa porque existe a cultura de culpá-las mesmo sendo as vítimas. Ah, isso tudo dói um bocado.
            Não custa lembrar: pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que apenas 10% do total de estupros são notificados. Considerando que há 50 mil casos registrados por ano (na polícia e nos hospitais), o País teria 450 mil ocorrências ainda “escondidas”.
            Divirjo respeitosamente daqueles que advogam, simplesmente, aumentar pena como solução para acabar com estupro, nunca foi e nunca será. Uma pauta que se apequena. É no mínimo estreiteza intelectual. A verdade é que o estupro já tem uma das maiores penas no Código Penal, e mesmo assim é um crime que está crescendo a cada dia nos prontuários oficiais.
            Ao leitor desse prestigioso jornal, digo sem rodeios: temos que ir até a raiz do problema, enquanto isso não mudar, não vamos mudar esse quadro triste de violência contra as mulheres. E a única forma de resolver esse problema é mudar a mentalidade dos homens através da educação, para que, efetivamente, não cometam mais estupros. Só através da educação, da discussão sobre feminismo e gênero nas escolas, universidades e em todos os locais, que vamos conseguir evitar os estupros.
            Pense bem. Pense com calma. Em razão das mazelas do nosso Sistema Penitenciário, aumento de pena nunca reduziu crime algum e não vai funcionar com estupro.

                                             LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                             lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                Advogado e mestre em Administração


                                                 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A dívida brasileira

            Já disse várias vezes, aqui neste espaço, que sou um otimista contumaz. Mas nem sempre é fácil ter essa percepção à dura prova da realidade que ora passa a economia no Brasil, sobretudo quando vejo o relato feito por um dos mais lendários financistas do País, Luiz Cezar Fernandes.
            Com seu jeito despojado e sem papas na língua, ele diz que o Brasil pode estar caminhando para um calote da dívida interna. Não é suportável com os níveis de taxa de juros. Se o Banco Central reduzisse a taxa Selic para algo em torno de 5% ao ano, nada aconteceria com a inflação. Criticou ainda o rentismo da economia brasileira, que criou uma sociedade de pessoas que vivem de juros, e não da produção. Olha quem está falando isso é um banqueiro, que fundou instituições como Garantia e Pactual.
            Na sua visão, a situação brasileira é mais grave do que da Grécia e a necessidade de ajuste fiscal pode vir a ser muito maior. Ele cita o exemplo de Portugal, em que salários de servidor público chegaram a ser reduzidos em cerca de 30%.
            Tenho que reconhecer que a nossa situação é de urgência. O milagre do crescimento exponencial das receitas, pressupostos para o atendimento do conjunto das demandas, não ocorreu. Apesar de alguns modestos sinais de melhoria da economia, a crise continua braba. Uma verdade indigesta, infelizmente.
            Para quem já queimou os fusíveis, como eu, ainda tento entender o vaivém da nossa política monetária. É insuportável a dívida brasileira com esses níveis de taxa de juros. Não tenho curso de leitura de mãos, mas está na cara que se for mantida a trajetória atual de juros, um calote da dívida é inevitável.
            Com toda franqueza, com essa recessão desenfreada e com a inflação abaixo da meta (sob controle), não podemos perder tempo mais uma vez, aceitando outro ciclo de inércia, de incompetência exacerbada, atraso deliberado, ganância bancária...
            Como diz um bordão de um programa humorista: “E o povo, ó...”.


                                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                                 lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                             Advogado e mestre em Administração   

               

            

sábado, 26 de agosto de 2017

Orquestra Tabajara

            Na semana passada, caiu-me aos olhos o livro “Orquestra Tabajara de Severino Araújo”, escrito por Carlos Caraúccio e publicado pela Companhia Editora Nacional (1ª ed., 2009). Uma narrativa tão cuidadosa e tão deliciosa à altura desse fenômeno da música brasileira. Seja como exímio instrumentista, seja como genial arranjador.
            A Tabajara, eterna big band brasileira, assim chamada, foi criada em João Pessoa (1933), a mais longeva e um dos mais férteis celeiros de grandes instrumentistas do País. A sua herança sonora mantém-se viva graças à inventividade dos músicos que passaram pela orquestra (registrada em mais de cem discos), sob a batuta do grande mestre musical Severino Araújo (1917-2012).
            Particularmente, essa famosa orquestra me traz boas lembranças e saudades dos grandes bailes de Carnaval no nosso Clube Cabo Branco – “época dourada (década de 1970)”, onde centenas de foliões ansiosos aguardavam a entrada da Tabajara no palco, para se esbaldarem em frevos e sambas até as quatro horas da manhã.
            Lá pelos idos de 1940 a 1944, além do Cabo Branco e do Astréa, João Pessoa contava com outro espaço em que a Tabajara se apresentava com frequência, o Cassino da Lagoa. Aos domingos, das cinco da tarde às nove da noite, Severino e sua trupe faziam a alegria de centenas de animados dançarinos.
            Já na Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro, o som da Orquestra Tabajara passou a fazer parte do mundo de glamour, fosse ao Copacabana Palace, Hotel Glória ou Cassino da Urca, que duraria pelo menos quatro décadas. O cenário era salões de bailes enfumaçados, exalando aromas de cigarros europeus, entre flores e garrafas de champanhe. A madrugada unia os ternos de casimira e os vestidos plissados de cetim.
            Cabe, nessas apressadas linhas, louvar o autor Caraúccio que deixou para a história o registro da vida artística, cultural e musical desse notável brasileiro Severino Araújo e da Orquestra Tabajara.


                                                           LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                            lincoln.consultoria@hotmail.com

                                                                                     Advogado e mestre em Administração

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Carência de líderes

            É preciso reafirmar que o Brasil necessita de líderes acima de qualquer suspeita. As instituições públicas não devem servir de escudo aos que enfrentam acusações, tampouco parlamentares lobistas que utilizam pautas legislativas em busca de vantagens setoriais à custa do erário.
            Para enveredar num rumo virtuoso, precisamos sim de líderes abnegados e comprometidos com as causas sociais. Não há nada, nada mais urgente, neste País, do que criar uma geração de novos líderes à altura das responsabilidades morais e éticas.
            A carência de líderes no Brasil lembra um navegante perdido em oceano tempestuoso, sob céu nublado e sem bússola nem estrelas para se orientar. O exemplo dos nossos grandes vultos nacionais foi jogado na lata do lixo da história.
            Já vai longe o tempo em que tínhamos grandes líderes na política, do quilate de um Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas, Leonel Brizola... A política ficou com má fama. Perdeu o sentido nobre. Foi entendida como um lugar de malandro.
            A explicação para tal situação é que a redemocratização dos anos 1980 coincide com o desinteresse dos jovens pela política, provocada pela desmoralização da prática política, como também, pela falta de mecanismos de participação na política. Como isso: a política atraiu àqueles que não encontraram lugar no mercado de trabalho ou de celebridades decadentes.
            Isso, caros leitores, é o que está acontecendo. Faça o esforço que fizer, não dá para não reconhecer essa lacuna de grandes lideranças no cenário político. Os nomes que aparecem representam o velho e, pior, mais radicalizado. Lula representa o velho à esquerda. Bolsonaro representa o velho à direita. Dória aparece com uma visão burocrática, gerencial, mas que ainda não foi testado. Logo, não é preconceito. É uma obviedade.
            Enfim, falta ao Brasil um líder com uma visão modernizadora da política, baseada nos princípios de inclusão social, responsabilidade fiscal e modernização na área dos costumes.


                                              LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                               lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                Advogado e mestre em Administração


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Só a educação salva

            Nas minhas leituras de juventude, mais de quatro décadas atrás, eu já sabia que somente a educação pode salvar o mundo. Pois nenhum brasileiro alfabetizado pode ignorar isso. Tal realidade vai ficando tão escancarada que nem o véu ideológico (contraditório) consegue encobrir.
            A referida assertiva é mais que pertinente quando vejo o depoimento emocionante da professora aposentada, Diva Guimarães, 77, ao revelar para uma plateia presente na última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de que a única forma de combater o racismo no Brasil é pela educação.
            Basta! Não podemos mais tolerar o intolerável (descaso com educação). Os negros, como a professora Diva, só tinham uma chance na vida: estudar. Afirma a pedagoga que as cotas no ensino superior não são um privilégio, mas um dever da sociedade. Durante muito tempo, esse acesso lhe foi podado. É só ler os livros de história para constatar que as cotas sempre existiram – apenas para os brancos e bem-nascidos.
            Com os seus cabelos grisalhos e olhos vivos, ela confessa que sempre foi respeitada como educadora e, quando os alunos lhe procuravam, chateados com alguma discriminação, repetia a mensagem que sua mãe lhe dizia: “Quer ser respeitado? Então seja melhor que eles, tire notas maiores, porque, um dia, vão precisar de você”.
            Em meio a essa realidade inescapável, não é por acaso que a educação no Brasil, ensino público, é ruim, desigual e estagnado. Mais de 65% dos alunos brasileiros no 5º ano da escola pública não sabem reconhecer um quadrado, um triângulo ou um círculo.
            Para evitar mais delongas sobre o tema, espera-se que o depoimento da professora Diva, emocionante e cheio de sensibilidade, seja mais um alerta às nossas autoridades governamentais. Redobrando à premissa de que a educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.


                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Descaso na Cultura

            Gosto de ler livros, jornais, ouço rádio, procuro assistir bons programas de TV, visito internet, uso as redes sociais, porém sem estresse e longe de ser um vício. Nessa incursão, atualmente, a crise do Estado do Rio de Janeiro tem dominado a minha curiosidade.
            Não é de se surpreender, por irresponsabilidade pessoal e administrativa, aliado ao descaso, o ex-governador Sérgio Cabral foi o seu principal responsável pela situação de desconforto que passa a população fluminense. O cara praticou todo tipo de trambique e desfaçatez. Dificilmente ele vai sair tão cedo do xilindró, espero.
            Lamentável, o novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, carioca, que deveria levar um alento aos seus conterrâneos, preferiu abrir os cofres federais para a elite das escolas de samba, em vez de prestar socorro às bibliotecas. A festa do Carnaval é fantástica, mas já conta com verba da prefeitura, apoio dos bicheiros e um milionário contrato de TV.
            Ora, nada contra a folia, mas há quem precise mais da ajuda do governo. No Rio, três bibliotecas modelo estão fechadas há sete meses por falta de dinheiro. O Teatro Municipal, por sua vez, os funcionaram estão sem receber. Acreditem: o primeiro-bailarino da casa virou motorista de UBER para pagar as suas contas.
            Não vejo em curto prazo solução para o Rio de Janeiro. É bronca para tudo que é lado. O descaso na Cultura também é nítido. Total desprezo em todas as formas de cultura, de produção, de transmissão e aquisição de conhecimento.
            A frustração do que está ocorrendo no Rio vem pela constatação que a Gestão Governamental (administrativa) é decorrente de uma mão lavando a outra. Todos são farinha do mesmo saco. O que vai tirar essa cambada do poder é o voto, que
pode punir e colocá-los no esquecimento da política. Quiçá na cadeia!
            Por isso, a queixa é geral, em não acreditar que há futuro neste País do futuro.


                                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                    lincoln.consultoria@hotmail.com
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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Mudança de atitudes

            Há pouco li uma entrevista com o novelista Silvio de Abreu. O craque dos folhetins da Globo. Agora como diretor-geral da emissora, ele conseguiu atingir o ápice de audiência em muito tempo – 66 milhões de pessoas sintonizadas.
            Com maestria e inteligência, com muitas ideias, sonhos e histórias para contar, esse criador de sucessos diz que a novela é mesmo um espelho da sociedade, mas a verdade é que ela não muda a cabeça do público.
            Revela que as pessoas não se tornaram tolerantes com os malfeitos em decorrência do que a novela mostrava, e sim por influência dos exemplos vindos de nossa realidade. As pessoas estão cansadas do mar de lama. Ou seja: o humor do público mudou. Varrer os escândalos para debaixo do tapete é coisa do passado.
            Acrescenta, ainda, que ninguém tem mais interesse de ver tramas pesadas e com muitos personagens negativos, como em “Babilônia” e “A Regra do Jogo”. Todo mundo ficou com ojeriza ao noticiário e, sobretudo, à vilania nas novelas: “Não quero ver na novela uma continuação do telejornal”. Entendeu que o vale-tudo não é o caminho.
            Porém, indo direto ao ponto, acrescento eu: o lado bom nessa história (da entrevista) é que o telespectador aprendeu a descrer de heróis e passou a ter uma visão mais realista da natureza humana. A frustração vem pela constatação da queda do padrão ético de nossos políticos e de nossos líderes empresariais.
            Simples assim. O mais importante no ser humano não é o seu nome ou seu status, mas a sua dignidade e o seu respeito para com o seu país. Logo o telespectador rechaça qualquer personagem (que leva vantagem) associada à organização criminosa.
            Nessa visão, o telespectador está enviando uma mensagem de que temos que modificar nossas atitudes. O Brasil está precisando rever seus conceitos. Vamos começar por nós. Mudança de atitudes já!


                                          LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                           lincoln.consultoria@hotmail.com
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domingo, 23 de julho de 2017

A febre do WhatsApp

Continuo, aliás, atrasado em muitos terrenos. Nada posso fazer. Parece que há em mim um lado retrógrado que não me quer abandonar. É o caso, por exemplo, do WhatsApp que vem sendo utilizado de forma inconveniente, inadequada... que ainda não me habituei.
Reconheço que tal aplicativo é uma realidade - uma febre e um símbolo da neurose urbana - que não tem volta e virou uma ferramenta de comunicação até mesmo nas empresas. O problema é que ele requer cuidado, pois há várias situações em que tem prejudicado a imagem de profissionais.
Jurar, não juro. Questão de princípio. Mas quero crer que no futuro bem próximo as pessoas não vão mais dialogar cara a cara, mas sim, vão preferir conversar via o WhatsApp. Por achar mais sociável, moderno, prático e de uma visão oba-oba da vida.
Um dia desses me encontrava no restaurante com minha consorte Socorro, quando o jovem casal sentou-se numa mesa ao lado e, logo em seguida, eles sacaram os seus celulares e começaram a digitar. Não se olhavam. Apenas batiam os cílios como asas de um beija-flor passeando pelo jardim florido.
Foi triste testemunhar essa situação. Onde demonstra a que ponto o vazio existencial consegue entortar a cabeça das pessoas, aniquilando com qualquer resquício de bom senso. Já nas empresas, como ferramenta de trabalho, o erro mais comum é um mau entendimento sobre a finalidade desse aplicativo como canal de telemarketing. Ou seja: estão fazendo uso de disparo de mensagens em massa pelo WhatsApp, o que é um erro grosseiro.
No mundo cada vez mais robotizado, apático, sufocado pelo ambiente das pessoas expressarem sua própria identidade, não podemos ser subjugado a todos apelativos do WhatsApp, prejudicando o diálogo presencial que é o alicerce da vida.

                               LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                lincoln.consultoria@hotmail.com
                                   Advogado e mestre em Administração



terça-feira, 18 de julho de 2017

Casa da Mãe Joana

            Essa expressão de nossa língua portuguesa significa o lugar ou situação vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balbúrdia e a desorganização. Infelizmente, foi o que se transformou o plenário do nosso Senado Federal, na sessão da semana passada (11/7), depois de mais de sete horas de suspensão, com vista à votação da reforma trabalhista.
            Observei tudo aquilo, sumariamente, com um híbrido de espanto e vergonha, como se fosse sim uma “Casa da Mãe Joana”. O espetáculo deprimente foi protagonizado por cinco senadoras da oposição que ocuparam a Mesa Diretora, impedindo que o presidente Eunice Oliveira comandasse a sessão. Tolhido de sua autoridade, ele mandou cortar os microfones, a transmissão de TV e até a luz do plenário. Mesmo assim, elas continuaram com os seus desaforos e devorando até um almoço trazido em quentinhas sob a luz de celulares. Uma cena deplorável!
            Como, reza o chavão, um erro não justifica o outro. Se a reforma é ruim, o dever da oposição é votar contra – e só. Tal atitude não é contra um cidadão comum. É contra a instituição Senado Federal e contra o Brasil.
            Pensando bem, as senadoras, causadoras do frenesi, tentam nos convencer de que estão sendo vítimas de uma manipulação ardilosa. Temos que relembrar o epíteto que diz que “à mulher de Cesar não basta ser honesta, há que parecer honesta”.
            Esse papo de que basta dar mortadela que o povo vota, está mudando. É conversa mole para boi dormir. As causas que nos movem têm, para as senadoras agitadoras, importância secundária. É o jogo da sobrevivência, ainda que às nossas custas e nos enganando periodicamente com malabarismos retóricos indigestos.
            A reação desmesurada é sinal que chegou o fim: de morte morrida, por não ter mais votos para se reelegerem, ou de morte matada, por impedimento legal.


                                              LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                               lincoln.consultoria@hotmail.com

                                                Advogado e mestre em Administração

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A deterioração da política

            O prefeito de Bayeux, Berg Lima, escancara sua pequenez moral ao ser flagrado recebendo propina de determinado fornecedor. Comportamento asqueroso. Uma nódoa desmoralizante que vai levar consigo por resto da vida. Nenhuma inteligência, nenhuma virtude, nenhum senso de honra sobrevive a tal situação.
            Tudo isso parece loucura, mas é loucura premeditada. A prática do crime de corrupção tornou-se tão normal e corriqueira - mesmo com a Operação Lava Jato em curso - que ela própria determina os critérios em que será julgada, nivelando tudo por baixo. Transformando-se numa modalidade mais requintada e sutil da canalhice.
            Qualquer observador atento pode notar que a deterioração da política e a petulância dos corruptos provocam merecidas ondas de indignação, cujo risco pode nos levar o desmanche do Estado Democrático de Direito inaugurado pela Constituição de 1988. A afirmação é forte, mas nem por isso menos verdadeiro.
            Tenho sido conhecido exatamente pelo meu otimismo. A meu ver, nem tanto pelas circunstâncias mais pela minha personalidade. Porém, devo reconhecer que certas forças políticas estão nos ludibriando, numa agressão mortal à democracia e à liberdade. Acreditar nessa gente, mesmo por breves instantes, é desmantelar o próprio cérebro.
            Não é à toa, Nelson Rodrigues já alertava: “O mundo só se tornou viável porque antigamente as nossas leis, a nossa moral, a nossa conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas ideias”.
            Feitas essas indispensáveis observações, parece natural que o eleitor baienense esteja a perguntar-se: onde estávamos com a cabeça quando negligenciamos em eleger o prefeito Berg?
            Enquanto esse tipo de político perder o respeito por nós, nada de sério se poderá discutir no Brasil.

                                                 LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                       lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                    Advogado e mestre em Administração

            

terça-feira, 4 de julho de 2017

Somente a saudade

            A Bíblia registra com muita sabedoria que a terra é apenas uma residência temporária. Que aqui só estamos de passagem. Por isso que o livro sagrado invoca essa situação como de um “forasteiro”, “peregrino”, “estrangeiro”, “estranho” e “viajante”.
            Mesmo sabendo dessa realidade, foi difícil aceitá-la, depois do falecimento da minha amada mãe, Dona Aila Cartaxo de Lira, ocorrido na última sexta-feira (30/06). Já perdi muitos entes queridos, mas a perda dela foi de luto dolorido e desnorteamento da vida. Uma vez que era a nossa segurança, aconchego, orientação e refúgio.
            Ao longo dos seus 86 anos de vida sua residência foi um porto seguro, não só para os seus familiares, como também, para aqueles que ali chegavam de Cajazeiras (sua terra natal) em busca de apoio, seja para estudar, seja para moradia, seja para conseguir alguma ajuda financeira. Com olhos marejados de lágrimas, tive oportunidade no velório de conferir vários testemunhos de sua ação humanitária.
            Pode-se dizer que para lidar com essa perda tão marcante é preciso respeito, respeito de si mesmo com a sua dor, para que não pareça uma atitude egoísta. Sei que o tempo aprofundará a saudade, mas lembrarei que a nossa mãe Dona Aila não morreu. Apenas mora noutro lugar. Estará sempre ao nosso lado, porém invisível até o dia do nosso reencontro. E que o Deus brindará com evolução espiritual plena.
            Neste momento, já sinto a dor da distância criada por sua morte e, como diz na canção interpretada por Caetano Veloso e com outra adaptação para a ocasião: “Agora que faço da vida sem você? Você que só me ensinou a te querer e agora eu estou sentindo a dor de te perder!”. Tenho consciência que o tempo de alívio ou de passar a dor vai demorar. Porém me dei conta que é o ciclo da vida. A chegada recente do meu neto Adam é a prova dessa realidade.
            Sua lembrança, minha mãezinha, continua viva dentro de mim, eternizada no meu coração.

                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                         lincoln.consultoria@hotmail.com
                                          Advogado e mestre em Administração
           

            

terça-feira, 27 de junho de 2017

O circo baixa a lona

            Acabo de ler, com bastante interesse, a reportagem sobre o fim do Circo Ringling Bros, depois de 79 anos de vida. Assim registrava a manchete dessa reportagem: “O circo mais tradicional dos Estados Unidos baixa a lona”.
            Os motivos que selaram o destino infeliz do magistral Ringling Bros foram os sucessivos protestos contra maus-tratos aos animais, levando a dispensar do espetáculo os últimos elefantes asiáticos, além de leões, tigres, cavalos e cachorros. Some-se a isso a dificuldade para atrair jovens espectadores, mais acostumados a emoções virtuais.
            Já nos primórdios, o Ringling Bros converteu os elefantes em seu principal símbolo. Não à toa, virou alvo fácil de protestos, num país em que não há lei federal proibindo animais circenses, embora haja jurisdições em 27 estados vetando total ou parcialmente sua participação em espetáculos.
            Lembro-me bem - e parece ter sido hoje - ainda garoto lá em Cajazeiras, seguindo uma trilha de serragem, entrava debaixo daquela lona colorida e sentava naquelas arquibancadas (chamada de “puleiros”) para assistir o “Maior Espetáculo da Terra”. Tempos memoráveis; onde se via trapezista, malabarista, palhaço, acrobata, equilibrista, domador... com o compromisso de tornar a vida em um arco-íris, não o monótono preto-e-branco.
            Não era um Jorginho Guile, nem Nelson Rodrigues para quem o trabalho era uma coisa triste. Ali, na labuta da família circense, era só alegria, as lágrimas eram substituídas por sorrisos. Melhor: numa época em que ainda não predominava a “força da grana que ergue e destrói coisas belas”.
            Pensei cá comigo: acho que atualmente estamos precisando um pouco do ambiente circense, não o ambiente político tão desafortunado e vergonhoso, para transformar o desespero em esperança, o pânico em refrigério.


                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                    lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                   Advogado e mestre em Administração



terça-feira, 20 de junho de 2017

Procura-se candidato à presidência

             Entendo que a um e meio da eleição, o nosso País vive o auge do desencanto com a classe política e não vê candidato favorito para a presidência da República. Isso decorre da operação Lava-Jato ter varrido do tabuleiro diversas lideranças políticas.
            Não há motivo para espanto, tendo em vista à desconexão dos políticos com a ética e a moralidade. Total desprezo com a realidade. Infelizmente, tempos mais sombrios se aproximam à medida que as denúncias de corrupção são noticiadas.
            A coisa está tão feia que Lula e Bolsonaro são os únicos candidatos mais viáveis para 2018. O risco que corre é o cidadão brasileiro, o eleitor, absorver o cinismo em torno de suas propostas mirabolantes e sorrateiras. O primeiro postulante, com sua honestidade que só ele acredita, e o segundo, se colocando como salvador da pátria.
            Logo, logo, vão surgir outros políticos de botequim cuspindo fogo e aproveitando frustrações para atingirem o poder e a fama. Espécie de personagem mitológico do realismo tupiniquim. Verdadeiros aproveitadores de um cenário de incerteza e receio. Ah, como cabeças arejadas fazem falta.
            Ouvi há pouco alguém dizer que seria uma experiência interessante eleger Bolsonaro. Aí, sim, ele deixaria de ser um falastrão para assumir responsabilidade. O político que, do plenário para onde foi eleito democraticamente, defende a ditadura, o cerceamento de direitos fundamentais e que os partidos de esquerda sejam varridos do mapa.
            Eis o busílis: por mais que se questione o nosso sistema político, mas apenas ele pode produzir as decisões necessárias para tirar o País do atoleiro. Apesar do Congresso está na berlinda, alvo de delações que atingem algumas de suas figuras mais graduadas.
            Ora, façam-me o favor! Que não apareça candidato usando a presunção da inocência para ludibriar a consciência do eleitor brasileiro.


                                         LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                          lincoln.consultoria@hotmail.com

                                             Advogado e mestre em Administração

terça-feira, 13 de junho de 2017

Corruptour

            Use seu tempo para um entretenimento. Mesmo que essa distração seja em cima de acontecimentos que, às vezes, não são nada simpáticos. Porém, é uma maneira de se buscar uma luz para melhorar e seguir em frente.
            Pensando nisso, na cidade do México, já existe um passeio turístico, através de ônibus (bus tour), onde circula por diferentes pontos, instituições e empresas, relacionadas a supostos escândalos de corrupção na recente história mexicana.
            O ônibus que faz o passeio, além de ser aberto, tem na sua frandelagem lateral um grande letreiro em vermelho e amarelo: “Corruptour”. A pintura inclui ainda caricaturas do rosto de alguns personagens que fazem parte da paisagem da corrupção. É um passeio gratuito de uma hora liderado por jovens ativistas que esperam contribuir para a consciência política e social da cidade.
            Olha, se a moda pegar por aqui, quantas linhas de “Corruptour” seriam lançadas em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte? Para os turistas, o que não vai faltar no Brasil são os rastros (digitais) da corrupção para serem visitados. Isso mesmo: todo lugar do País registra-se os esgotos da corrupção, infelizmente. Como já disse em artigo anterior, fruto da ganância, mau-caratismo e falta de patriotismo.
            A percepção do turista que venha nos visitar, decerto, será um sentimento de perplexidade diante de tantas falcatruas que se arraigaram tão fundo, que já parece impossível extirpá-las, apesar de todo o esforço hercúleo da Operação Lava-Jato.
            É bacana, sim! E pega bem, sim! O movimento de jovens ativistas mexicanos tem como mensagem tangível no combate a corrupção e a impunidade – decorrente do poder econômico e político para desmoralizar as instituições democráticas.
            Para terminar, faço uma confissão final. O “Corruptour” é uma ideia supimpa para um país que está mergulhado no mar de lama da corrupção.


                                    LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                     lincoln.consultoria@hotmail.com
                                        Advogado e mestre em Administração

            

terça-feira, 6 de junho de 2017

O crime compensa?

            Hoje, se perguntar algum brasileiro se o crime compensa chegará à resposta inevitável: compensa sim, e muito! A resposta não poderia ser diferente diante do beneplácito que os irmãos Batistas da JBS (Joesley e Wesley) receberam do Ministério Público Federal. Mesmo revelando descaradamente todos os seus crimes de forma irônica que beira a piada.
            O Acordo de Colaboração, feito com esses delinquentes confessos, escandalizou leigos e especialistas. A punição (em dinheiro) foi irrisória em relação do que os dirigentes da JBS afirmaram ter usurpado nas suas traquinagens. Sem falar, o que é inconcebível, da liberdade que lhes foram concedidas.
            Episódio que nos remete àquele folhetim “Vale Tudo”, em que o empresário corrupto dá uma banana ao fugir, de avião, do Brasil. No caso real, para nossa surpresa, foi com a autorização da Justiça. Uma vergonha ímpar e um exemplo de empresários que não pensam em nada além do lucro a qualquer custo.
            Francamente, com as devidas vênias de estilo, a leniência do MPF foi despropositada, mesmo tendo alcançado os seus objetivos na investigação. Não só pela suavidade do acordo, como também, por agravar ainda mais a crise brasileira que, até então, vinha sendo bem conduzida/gerenciada, que pese o mau-caratismo e a falda de patriotismo de agentes públicos e de bandidos travestidos de empresário.
            Na verdade, sem nenhum ismo, cheguei à conclusão: não há mocinho nessa história, só bandidos. Não é só o governo que está enrolado até o pescoço, é o Brasil todo. Fruto da ganância, da ladroagem e da falta de patriotismo. É Lula, é Temer, é Aécio e toda turma de malfeitores que têm levado o País a esse pesadelo sem fim.
            O grande erro de um jogador de pôquer é subestimar seu adversário. Nessa jogada do Acordo de Leniência, o grande vencedor foi os irmãos Batista.


                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                         lincoln.consultoria@hotmail.com
                                            Advogado e mestre em Administração