segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Só a educação salva

            Nas minhas leituras de juventude, mais de quatro décadas atrás, eu já sabia que somente a educação pode salvar o mundo. Pois nenhum brasileiro alfabetizado pode ignorar isso. Tal realidade vai ficando tão escancarada que nem o véu ideológico (contraditório) consegue encobrir.
            A referida assertiva é mais que pertinente quando vejo o depoimento emocionante da professora aposentada, Diva Guimarães, 77, ao revelar para uma plateia presente na última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de que a única forma de combater o racismo no Brasil é pela educação.
            Basta! Não podemos mais tolerar o intolerável (descaso com educação). Os negros, como a professora Diva, só tinham uma chance na vida: estudar. Afirma a pedagoga que as cotas no ensino superior não são um privilégio, mas um dever da sociedade. Durante muito tempo, esse acesso lhe foi podado. É só ler os livros de história para constatar que as cotas sempre existiram – apenas para os brancos e bem-nascidos.
            Com os seus cabelos grisalhos e olhos vivos, ela confessa que sempre foi respeitada como educadora e, quando os alunos lhe procuravam, chateados com alguma discriminação, repetia a mensagem que sua mãe lhe dizia: “Quer ser respeitado? Então seja melhor que eles, tire notas maiores, porque, um dia, vão precisar de você”.
            Em meio a essa realidade inescapável, não é por acaso que a educação no Brasil, ensino público, é ruim, desigual e estagnado. Mais de 65% dos alunos brasileiros no 5º ano da escola pública não sabem reconhecer um quadrado, um triângulo ou um círculo.
            Para evitar mais delongas sobre o tema, espera-se que o depoimento da professora Diva, emocionante e cheio de sensibilidade, seja mais um alerta às nossas autoridades governamentais. Redobrando à premissa de que a educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.


                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                         lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                  Advogado e mestre em Administração
                                        
           

             

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Descaso na Cultura

            Gosto de ler livros, jornais, ouço rádio, procuro assistir bons programas de TV, visito internet, uso as redes sociais, porém sem estresse e longe de ser um vício. Nessa incursão, atualmente, a crise do Estado do Rio de Janeiro tem dominado a minha curiosidade.
            Não é de se surpreender, por irresponsabilidade pessoal e administrativa, aliado ao descaso, o ex-governador Sérgio Cabral foi o seu principal responsável pela situação de desconforto que passa a população fluminense. O cara praticou todo tipo de trambique e desfaçatez. Dificilmente ele vai sair tão cedo do xilindró, espero.
            Lamentável, o novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, carioca, que deveria levar um alento aos seus conterrâneos, preferiu abrir os cofres federais para a elite das escolas de samba, em vez de prestar socorro às bibliotecas. A festa do Carnaval é fantástica, mas já conta com verba da prefeitura, apoio dos bicheiros e um milionário contrato de TV.
            Ora, nada contra a folia, mas há quem precise mais da ajuda do governo. No Rio, três bibliotecas modelo estão fechadas há sete meses por falta de dinheiro. O Teatro Municipal, por sua vez, os funcionaram estão sem receber. Acreditem: o primeiro-bailarino da casa virou motorista de UBER para pagar as suas contas.
            Não vejo em curto prazo solução para o Rio de Janeiro. É bronca para tudo que é lado. O descaso na Cultura também é nítido. Total desprezo em todas as formas de cultura, de produção, de transmissão e aquisição de conhecimento.
            A frustração do que está ocorrendo no Rio vem pela constatação que a Gestão Governamental (administrativa) é decorrente de uma mão lavando a outra. Todos são farinha do mesmo saco. O que vai tirar essa cambada do poder é o voto, que
pode punir e colocá-los no esquecimento da política. Quiçá na cadeia!
            Por isso, a queixa é geral, em não acreditar que há futuro neste País do futuro.


                                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                    lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                     Advogado e mestre em Administração



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Mudança de atitudes

            Há pouco li uma entrevista com o novelista Silvio de Abreu. O craque dos folhetins da Globo. Agora como diretor-geral da emissora, ele conseguiu atingir o ápice de audiência em muito tempo – 66 milhões de pessoas sintonizadas.
            Com maestria e inteligência, com muitas ideias, sonhos e histórias para contar, esse criador de sucessos diz que a novela é mesmo um espelho da sociedade, mas a verdade é que ela não muda a cabeça do público.
            Revela que as pessoas não se tornaram tolerantes com os malfeitos em decorrência do que a novela mostrava, e sim por influência dos exemplos vindos de nossa realidade. As pessoas estão cansadas do mar de lama. Ou seja: o humor do público mudou. Varrer os escândalos para debaixo do tapete é coisa do passado.
            Acrescenta, ainda, que ninguém tem mais interesse de ver tramas pesadas e com muitos personagens negativos, como em “Babilônia” e “A Regra do Jogo”. Todo mundo ficou com ojeriza ao noticiário e, sobretudo, à vilania nas novelas: “Não quero ver na novela uma continuação do telejornal”. Entendeu que o vale-tudo não é o caminho.
            Porém, indo direto ao ponto, acrescento eu: o lado bom nessa história (da entrevista) é que o telespectador aprendeu a descrer de heróis e passou a ter uma visão mais realista da natureza humana. A frustração vem pela constatação da queda do padrão ético de nossos políticos e de nossos líderes empresariais.
            Simples assim. O mais importante no ser humano não é o seu nome ou seu status, mas a sua dignidade e o seu respeito para com o seu país. Logo o telespectador rechaça qualquer personagem (que leva vantagem) associada à organização criminosa.
            Nessa visão, o telespectador está enviando uma mensagem de que temos que modificar nossas atitudes. O Brasil está precisando rever seus conceitos. Vamos começar por nós. Mudança de atitudes já!


                                          LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                           lincoln.consultoria@hotmail.com
                                              Advogado e mestre em Administração
           

            

domingo, 23 de julho de 2017

A febre do WhatsApp

Continuo, aliás, atrasado em muitos terrenos. Nada posso fazer. Parece que há em mim um lado retrógrado que não me quer abandonar. É o caso, por exemplo, do WhatsApp que vem sendo utilizado de forma inconveniente, inadequada... que ainda não me habituei.
Reconheço que tal aplicativo é uma realidade - uma febre e um símbolo da neurose urbana - que não tem volta e virou uma ferramenta de comunicação até mesmo nas empresas. O problema é que ele requer cuidado, pois há várias situações em que tem prejudicado a imagem de profissionais.
Jurar, não juro. Questão de princípio. Mas quero crer que no futuro bem próximo as pessoas não vão mais dialogar cara a cara, mas sim, vão preferir conversar via o WhatsApp. Por achar mais sociável, moderno, prático e de uma visão oba-oba da vida.
Um dia desses me encontrava no restaurante com minha consorte Socorro, quando o jovem casal sentou-se numa mesa ao lado e, logo em seguida, eles sacaram os seus celulares e começaram a digitar. Não se olhavam. Apenas batiam os cílios como asas de um beija-flor passeando pelo jardim florido.
Foi triste testemunhar essa situação. Onde demonstra a que ponto o vazio existencial consegue entortar a cabeça das pessoas, aniquilando com qualquer resquício de bom senso. Já nas empresas, como ferramenta de trabalho, o erro mais comum é um mau entendimento sobre a finalidade desse aplicativo como canal de telemarketing. Ou seja: estão fazendo uso de disparo de mensagens em massa pelo WhatsApp, o que é um erro grosseiro.
No mundo cada vez mais robotizado, apático, sufocado pelo ambiente das pessoas expressarem sua própria identidade, não podemos ser subjugado a todos apelativos do WhatsApp, prejudicando o diálogo presencial que é o alicerce da vida.

                               LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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                                   Advogado e mestre em Administração



terça-feira, 18 de julho de 2017

Casa da Mãe Joana

            Essa expressão de nossa língua portuguesa significa o lugar ou situação vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balbúrdia e a desorganização. Infelizmente, foi o que se transformou o plenário do nosso Senado Federal, na sessão da semana passada (11/7), depois de mais de sete horas de suspensão, com vista à votação da reforma trabalhista.
            Observei tudo aquilo, sumariamente, com um híbrido de espanto e vergonha, como se fosse sim uma “Casa da Mãe Joana”. O espetáculo deprimente foi protagonizado por cinco senadoras da oposição que ocuparam a Mesa Diretora, impedindo que o presidente Eunice Oliveira comandasse a sessão. Tolhido de sua autoridade, ele mandou cortar os microfones, a transmissão de TV e até a luz do plenário. Mesmo assim, elas continuaram com os seus desaforos e devorando até um almoço trazido em quentinhas sob a luz de celulares. Uma cena deplorável!
            Como, reza o chavão, um erro não justifica o outro. Se a reforma é ruim, o dever da oposição é votar contra – e só. Tal atitude não é contra um cidadão comum. É contra a instituição Senado Federal e contra o Brasil.
            Pensando bem, as senadoras, causadoras do frenesi, tentam nos convencer de que estão sendo vítimas de uma manipulação ardilosa. Temos que relembrar o epíteto que diz que “à mulher de Cesar não basta ser honesta, há que parecer honesta”.
            Esse papo de que basta dar mortadela que o povo vota, está mudando. É conversa mole para boi dormir. As causas que nos movem têm, para as senadoras agitadoras, importância secundária. É o jogo da sobrevivência, ainda que às nossas custas e nos enganando periodicamente com malabarismos retóricos indigestos.
            A reação desmesurada é sinal que chegou o fim: de morte morrida, por não ter mais votos para se reelegerem, ou de morte matada, por impedimento legal.


                                              LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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                                                Advogado e mestre em Administração

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A deterioração da política

            O prefeito de Bayeux, Berg Lima, escancara sua pequenez moral ao ser flagrado recebendo propina de determinado fornecedor. Comportamento asqueroso. Uma nódoa desmoralizante que vai levar consigo por resto da vida. Nenhuma inteligência, nenhuma virtude, nenhum senso de honra sobrevive a tal situação.
            Tudo isso parece loucura, mas é loucura premeditada. A prática do crime de corrupção tornou-se tão normal e corriqueira - mesmo com a Operação Lava Jato em curso - que ela própria determina os critérios em que será julgada, nivelando tudo por baixo. Transformando-se numa modalidade mais requintada e sutil da canalhice.
            Qualquer observador atento pode notar que a deterioração da política e a petulância dos corruptos provocam merecidas ondas de indignação, cujo risco pode nos levar o desmanche do Estado Democrático de Direito inaugurado pela Constituição de 1988. A afirmação é forte, mas nem por isso menos verdadeiro.
            Tenho sido conhecido exatamente pelo meu otimismo. A meu ver, nem tanto pelas circunstâncias mais pela minha personalidade. Porém, devo reconhecer que certas forças políticas estão nos ludibriando, numa agressão mortal à democracia e à liberdade. Acreditar nessa gente, mesmo por breves instantes, é desmantelar o próprio cérebro.
            Não é à toa, Nelson Rodrigues já alertava: “O mundo só se tornou viável porque antigamente as nossas leis, a nossa moral, a nossa conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas ideias”.
            Feitas essas indispensáveis observações, parece natural que o eleitor baienense esteja a perguntar-se: onde estávamos com a cabeça quando negligenciamos em eleger o prefeito Berg?
            Enquanto esse tipo de político perder o respeito por nós, nada de sério se poderá discutir no Brasil.

                                                 LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                       lincoln.consultoria@hotmail.com
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terça-feira, 4 de julho de 2017

Somente a saudade

            A Bíblia registra com muita sabedoria que a terra é apenas uma residência temporária. Que aqui só estamos de passagem. Por isso que o livro sagrado invoca essa situação como de um “forasteiro”, “peregrino”, “estrangeiro”, “estranho” e “viajante”.
            Mesmo sabendo dessa realidade, foi difícil aceitá-la, depois do falecimento da minha amada mãe, Dona Aila Cartaxo de Lira, ocorrido na última sexta-feira (30/06). Já perdi muitos entes queridos, mas a perda dela foi de luto dolorido e desnorteamento da vida. Uma vez que era a nossa segurança, aconchego, orientação e refúgio.
            Ao longo dos seus 86 anos de vida sua residência foi um porto seguro, não só para os seus familiares, como também, para aqueles que ali chegavam de Cajazeiras (sua terra natal) em busca de apoio, seja para estudar, seja para moradia, seja para conseguir alguma ajuda financeira. Com olhos marejados de lágrimas, tive oportunidade no velório de conferir vários testemunhos de sua ação humanitária.
            Pode-se dizer que para lidar com essa perda tão marcante é preciso respeito, respeito de si mesmo com a sua dor, para que não pareça uma atitude egoísta. Sei que o tempo aprofundará a saudade, mas lembrarei que a nossa mãe Dona Aila não morreu. Apenas mora noutro lugar. Estará sempre ao nosso lado, porém invisível até o dia do nosso reencontro. E que o Deus brindará com evolução espiritual plena.
            Neste momento, já sinto a dor da distância criada por sua morte e, como diz na canção interpretada por Caetano Veloso e com outra adaptação para a ocasião: “Agora que faço da vida sem você? Você que só me ensinou a te querer e agora eu estou sentindo a dor de te perder!”. Tenho consciência que o tempo de alívio ou de passar a dor vai demorar. Porém me dei conta que é o ciclo da vida. A chegada recente do meu neto Adam é a prova dessa realidade.
            Sua lembrança, minha mãezinha, continua viva dentro de mim, eternizada no meu coração.

                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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terça-feira, 27 de junho de 2017

O circo baixa a lona

            Acabo de ler, com bastante interesse, a reportagem sobre o fim do Circo Ringling Bros, depois de 79 anos de vida. Assim registrava a manchete dessa reportagem: “O circo mais tradicional dos Estados Unidos baixa a lona”.
            Os motivos que selaram o destino infeliz do magistral Ringling Bros foram os sucessivos protestos contra maus-tratos aos animais, levando a dispensar do espetáculo os últimos elefantes asiáticos, além de leões, tigres, cavalos e cachorros. Some-se a isso a dificuldade para atrair jovens espectadores, mais acostumados a emoções virtuais.
            Já nos primórdios, o Ringling Bros converteu os elefantes em seu principal símbolo. Não à toa, virou alvo fácil de protestos, num país em que não há lei federal proibindo animais circenses, embora haja jurisdições em 27 estados vetando total ou parcialmente sua participação em espetáculos.
            Lembro-me bem - e parece ter sido hoje - ainda garoto lá em Cajazeiras, seguindo uma trilha de serragem, entrava debaixo daquela lona colorida e sentava naquelas arquibancadas (chamada de “puleiros”) para assistir o “Maior Espetáculo da Terra”. Tempos memoráveis; onde se via trapezista, malabarista, palhaço, acrobata, equilibrista, domador... com o compromisso de tornar a vida em um arco-íris, não o monótono preto-e-branco.
            Não era um Jorginho Guile, nem Nelson Rodrigues para quem o trabalho era uma coisa triste. Ali, na labuta da família circense, era só alegria, as lágrimas eram substituídas por sorrisos. Melhor: numa época em que ainda não predominava a “força da grana que ergue e destrói coisas belas”.
            Pensei cá comigo: acho que atualmente estamos precisando um pouco do ambiente circense, não o ambiente político tão desafortunado e vergonhoso, para transformar o desespero em esperança, o pânico em refrigério.


                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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terça-feira, 20 de junho de 2017

Procura-se candidato à presidência

             Entendo que a um e meio da eleição, o nosso País vive o auge do desencanto com a classe política e não vê candidato favorito para a presidência da República. Isso decorre da operação Lava-Jato ter varrido do tabuleiro diversas lideranças políticas.
            Não há motivo para espanto, tendo em vista à desconexão dos políticos com a ética e a moralidade. Total desprezo com a realidade. Infelizmente, tempos mais sombrios se aproximam à medida que as denúncias de corrupção são noticiadas.
            A coisa está tão feia que Lula e Bolsonaro são os únicos candidatos mais viáveis para 2018. O risco que corre é o cidadão brasileiro, o eleitor, absorver o cinismo em torno de suas propostas mirabolantes e sorrateiras. O primeiro postulante, com sua honestidade que só ele acredita, e o segundo, se colocando como salvador da pátria.
            Logo, logo, vão surgir outros políticos de botequim cuspindo fogo e aproveitando frustrações para atingirem o poder e a fama. Espécie de personagem mitológico do realismo tupiniquim. Verdadeiros aproveitadores de um cenário de incerteza e receio. Ah, como cabeças arejadas fazem falta.
            Ouvi há pouco alguém dizer que seria uma experiência interessante eleger Bolsonaro. Aí, sim, ele deixaria de ser um falastrão para assumir responsabilidade. O político que, do plenário para onde foi eleito democraticamente, defende a ditadura, o cerceamento de direitos fundamentais e que os partidos de esquerda sejam varridos do mapa.
            Eis o busílis: por mais que se questione o nosso sistema político, mas apenas ele pode produzir as decisões necessárias para tirar o País do atoleiro. Apesar do Congresso está na berlinda, alvo de delações que atingem algumas de suas figuras mais graduadas.
            Ora, façam-me o favor! Que não apareça candidato usando a presunção da inocência para ludibriar a consciência do eleitor brasileiro.


                                         LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                          lincoln.consultoria@hotmail.com

                                             Advogado e mestre em Administração

terça-feira, 13 de junho de 2017

Corruptour

            Use seu tempo para um entretenimento. Mesmo que essa distração seja em cima de acontecimentos que, às vezes, não são nada simpáticos. Porém, é uma maneira de se buscar uma luz para melhorar e seguir em frente.
            Pensando nisso, na cidade do México, já existe um passeio turístico, através de ônibus (bus tour), onde circula por diferentes pontos, instituições e empresas, relacionadas a supostos escândalos de corrupção na recente história mexicana.
            O ônibus que faz o passeio, além de ser aberto, tem na sua frandelagem lateral um grande letreiro em vermelho e amarelo: “Corruptour”. A pintura inclui ainda caricaturas do rosto de alguns personagens que fazem parte da paisagem da corrupção. É um passeio gratuito de uma hora liderado por jovens ativistas que esperam contribuir para a consciência política e social da cidade.
            Olha, se a moda pegar por aqui, quantas linhas de “Corruptour” seriam lançadas em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte? Para os turistas, o que não vai faltar no Brasil são os rastros (digitais) da corrupção para serem visitados. Isso mesmo: todo lugar do País registra-se os esgotos da corrupção, infelizmente. Como já disse em artigo anterior, fruto da ganância, mau-caratismo e falta de patriotismo.
            A percepção do turista que venha nos visitar, decerto, será um sentimento de perplexidade diante de tantas falcatruas que se arraigaram tão fundo, que já parece impossível extirpá-las, apesar de todo o esforço hercúleo da Operação Lava-Jato.
            É bacana, sim! E pega bem, sim! O movimento de jovens ativistas mexicanos tem como mensagem tangível no combate a corrupção e a impunidade – decorrente do poder econômico e político para desmoralizar as instituições democráticas.
            Para terminar, faço uma confissão final. O “Corruptour” é uma ideia supimpa para um país que está mergulhado no mar de lama da corrupção.


                                    LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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terça-feira, 6 de junho de 2017

O crime compensa?

            Hoje, se perguntar algum brasileiro se o crime compensa chegará à resposta inevitável: compensa sim, e muito! A resposta não poderia ser diferente diante do beneplácito que os irmãos Batistas da JBS (Joesley e Wesley) receberam do Ministério Público Federal. Mesmo revelando descaradamente todos os seus crimes de forma irônica que beira a piada.
            O Acordo de Colaboração, feito com esses delinquentes confessos, escandalizou leigos e especialistas. A punição (em dinheiro) foi irrisória em relação do que os dirigentes da JBS afirmaram ter usurpado nas suas traquinagens. Sem falar, o que é inconcebível, da liberdade que lhes foram concedidas.
            Episódio que nos remete àquele folhetim “Vale Tudo”, em que o empresário corrupto dá uma banana ao fugir, de avião, do Brasil. No caso real, para nossa surpresa, foi com a autorização da Justiça. Uma vergonha ímpar e um exemplo de empresários que não pensam em nada além do lucro a qualquer custo.
            Francamente, com as devidas vênias de estilo, a leniência do MPF foi despropositada, mesmo tendo alcançado os seus objetivos na investigação. Não só pela suavidade do acordo, como também, por agravar ainda mais a crise brasileira que, até então, vinha sendo bem conduzida/gerenciada, que pese o mau-caratismo e a falda de patriotismo de agentes públicos e de bandidos travestidos de empresário.
            Na verdade, sem nenhum ismo, cheguei à conclusão: não há mocinho nessa história, só bandidos. Não é só o governo que está enrolado até o pescoço, é o Brasil todo. Fruto da ganância, da ladroagem e da falta de patriotismo. É Lula, é Temer, é Aécio e toda turma de malfeitores que têm levado o País a esse pesadelo sem fim.
            O grande erro de um jogador de pôquer é subestimar seu adversário. Nessa jogada do Acordo de Leniência, o grande vencedor foi os irmãos Batista.


                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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segunda-feira, 29 de maio de 2017

As entranhas da corrupção

            No último fim de semana, passando pela cidade de Guarabira, em frente ao cemitério local, lia-se uma frase pichada no seu portal de entrada: “Entra Temer!”.
No primeiro momento, até que achei engraçado à irreverência da pessoa que fez a pichação. Depois, refletindo melhor, achei que aquilo era mais do que uma gozação, era uma manifestação em razão do verdadeiro tsunami político que tomou conta do Brasil, que envolvia o presidente Temer com falcatruas e propinas. Tudo na surdina. Cuja delação do dono da JBS, o malfeitor Joesley, expôs as entranhas do grupo que tomou de assalto o País, sem paralelo entre os países democráticos.
            A quem me lê, sabe que eu sempre tive uma posição definida: quem deve tem que pagar. Ora, sobre o caso, o simples encontro clandestino já depõe contra a figura do presidente. Nem interessa se o conteúdo foi editado ou não. Não há que se aventarem teorias de conspiração.
            Outra coisa: o mais grave de tudo isso foi à falta de atitude do presidente diante dos absurdos que ouviu. O fato de não ter dado voz de prisão ou no mínimo comunicar as informações à polícia já desmoraliza seu governo. Até agora, sua explicação para o ocorrido, infelizmente ainda não colou.
            Pior é que o momento retrata um clima de descrença geral. A população apóia e torce pelas investigações, mas não acredita em milagres. Nem por isso podemos deixar de combater a corrupção. Temos que reconhecer, após quase três anos de recessão, estávamos sentido sinais tênues de melhora das condições econômicas. Inflação em queda, juros baixando, produção em tendência de alta e renda das famílias em equilíbrio, com a indicação que o pior já passou.
            Em que pese à expectativa geral de depuração dos agentes políticos do País, o brasileiro está desencantado. Até a esperança, tida como a última que morre, está cansada.


                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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terça-feira, 23 de maio de 2017

O depoimento de Lula

            Assisti boa parte do depoimento que Lula prestou ao juiz Sérgio Moro. Confesso que senti um misto de tristeza e decepção ao ver o ex-presidente ali humilhado, de certa forma, também restou humilhado o povo brasileiro, que nele depositou tantas esperanças. Só um incauto que assistiu a tal audiência possa ter outra explicação diferente.
            Até poucos anos atrás, era inimaginável alguém questionar sobre a honorabilidade de Lula. A prova é que ele chega ao fim do seu governo (2010) com uma aprovação popular de 83%. Agora, ele pensa que, se for preso, virará mártir, que haverá guerra civil no País, que o MST marchará com suas bandeiras vermelhas em tom triunfante e desafiador, bloqueando rodovias e parando o Brasil.
            Mais do que nunca, a trupe de Lula está no mesmo barco, cúmplice do mesmo escândalo de corrupção. Território em que circulam mentiras e notícias falsas com notável desembaraço. Ademais, não acho que Lula seja ainda popular a ponto de sua prisão causar abalo na ordem social. Discordo daqueles ao afirmar: prendê-lo será torná-lo mártir e oferecer um discurso político a seus seguidores.
            Numa conversa com amigos, comentei a possibilidade que ele pudesse concorrer à eleição de 2018, para a felicidade dos petistas. Seja para concorrer ou perder. Acontece que, um candidato com tanta denúncia no prontuário e com tamanho bombardeio à sua volta, dificilmente sobreviveria a uma campanha eleitoral.
            A pergunta que não quer calar é esta: como os militantes do PT, que sempre defenderam a boa política e as boas práticas governamentais, estão encarando essa nova realidade? A minha grande preocupação é “o silêncio dos bons”, como disse Martin Luther King.
            Acreditem: estamos iniciando uma nova era da moralidade republicana. Quem viver, verá!
           

                                                     LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                              lincoln.consultoria@hotmail.com

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terça-feira, 16 de maio de 2017

O desafio dos pais

            Fiquei alguns dias matutando sobre o que eu poderia escrever diante da crise moral (suprassumo da canalhice) que atinge o nosso País. Principalmente a perspectiva do ser humano em relação ao seu futuro. E quando ele tem filhos, esse receio vira um assombro.
            Por mais desagradável que esse tema possa ser, é incontestável bater de frente com os fatos. Mesmo sabendo que viver não é seguro. Viver não é fácil. A presença dos pais é um raro estalo de sensibilidade, quando se trata da defesa da família.
            Não quero virar aqui aqueles nostálgicos que vivem murmurando pelos cantos “no meu tempo é que era diferente...”. Um pai super-herói, um mito que tentariam copiar. Mas o presente chegou diferente. Enquanto todo mundo grita contra a crise que assola o país, a garotada ultraconectada não está nem aí.
            Pior é que eles acham que já têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam. É triste testemunhar a que ponto o vazio existencial consegue entortar a cabeça dessa garotada, aniquilando com qualquer resquício de bom senso e de uma visão oba-oba da vida que acreditam ter.
            Outro dia conversando com uma senhora que me falava sobre o futuro do seu filho adolescente. Ela me disse que ele pouco está se lixando para o momento conturbado que o Brasil está vivenciando. Apenas pensa em fundar um startup e criar um aplicativo que logo vende a um grupo estrangeiro para que ele possa gozar a vida viajando com mochila nas costas. Coitado! Não é por aí.
            Isso mostra que o futuro que você (pai) imagina para seus filhos é completamente diferente do que eles desejam para si. Porém, não é motivo para baixar a cabeça, e sim, lhes mostrar que suas conquistas são frutos de trabalho árduo e de muitos sacrifícios. Um dia eles agradecerão por isso e farão o mesmo com seus filhos.

                                                  LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                        lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                                      Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 9 de maio de 2017

Agitadores de greve

            Já manifestei aqui neste espaço, por diversas vezes, que sou a favor da greve. Desde que seja um desejo de mudança civilizada, e não aquela imposta pelo medo e pela violência como a que ocorreu recentemente - na sexta-feira, do dia 28/04.
            Está tudo ali, em vídeo, para quem quiser ver. Vi com algo enfadonho e triste. As provocações, prática dos populistas, são como um convidado inconveniente que bebe demais. Quer saber? Não se reforma um país com atos de vandalismo. As conquistas virão através da educação, do conhecimento e do debate franco e aberto. Precisamos, sim, de um amplo entendimento nacional, sem ódios e radicalismos.
            Lá vou eu com Mãe Dináh que morreu em 2014 e, infelizmente, não poderá nos ajudar a saber como a história olhará, daqui a uns 30 anos, para os atuais políticos e para os agitadores sindicalistas: como arruaceiros ou simplesmente como pseudoideológicos.
            Fato a ser considerado, nesta nossa pátria tão mal-amada: o Brasil está em frangalhos, carente de uma visão nacional e, dividido, se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito. A greve, ora referida, foi uma grande vergonha para o país, com manifestações violentas, com cenas de vandalismo (queima de pneus e ônibus) e com bloqueio de avenidas.
            Se guiarmos um pouco menos por nossos instintos e mais por dados objetivos, chegamos à conclusão que, por trás dessa greve, está o interesse das centrais sindicais, em que os protestos são uma reação à perda de privilégios, caso a reforma trabalhista for adiante. O maior motivo: a perda da excrescência do imposto sindical em torno de 4 bilhões, cujo benefício é para atender a mais de 17000 sindicatos. Não “cola” mais essa aberração, felizmente.
            A boa regra, no entanto, impõe que greves e paralisações ilegais só prejudicam os cidadãos de bem que querem trabalhar e construir um país melhor.


                                         LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                          lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                            Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 2 de maio de 2017

Criatividade para fugir da crise

            Está provado que a crise no Brasil tem tudo a ver com a propinocracia que se lastrou por este País afora. Políticos, como lama até a cintura, mentem descaradamente sem mexer um músculo do rosto, como se não tivessem culpa no cartório.
            É até pornográfico conjecturar o quanto os políticos ganharam em troca nos projetos de obras públicas, sem afastar (espertamente) as mãos da caixa registradora do governo.  Principalmente os petistas que, ao assumirem o poder, prometeram acabar com a corrupção e trazer dias melhores para o povo brasileiro. Depois o que se viu foi algo do crime de lesa-pátria. Gerando prejuízos e dissabores incalculáveis.
            Por conta disso, a grave crise econômica continua paralisando o País e sacrificando milhares de famílias. Apesar de alguns sinais pontuais de recuperação, temos que admitir que o caminho seja árduo, demorado e cheio de obstáculos.
            Mesmo assim, o brasileiro tem confiança em um futuro promissor. Sua criatividade não tem limites diante das dificuldades econômicas, que não poupa nem a libido reinante nos motéis. Aliás, deu recentemente no jornal Folha a notícia de que os motéis brasileiros estão inovando para combater a crise, em vez de réplicas de Versalhes, do Taj Mahal ou das Mil e Uma Noite, estão adornando suas instalações inspiradas na Operação Lava Jato, com fotos de Lula, Dilma, Eduardo Cunha e de outras estrelas da operação.
            Não tenho dúvida que em breve o pessoal do nosso Trade Turismo, no embalo das delações da Lava Jato, estará organizando excursões turísticas para visitar o posto de gasolina em Brasília, o Posto da Torre, onde nasceu a investigação. Ou conhecer de perto o famoso tríplex na praia do Guarujá, em que Lula evasivo diz que não é de sua propriedade – tudo conversa fiada.
            Como se nota, a criatividade do empresariado brasileiro se supera!


                                                LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                 lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                    Advogado e mestre em Administração


            

terça-feira, 25 de abril de 2017

Carreira de docente

            Recorro à citação recorrente de que a educação nunca foi prioridade no Brasil. E as consequências estão aí: personificação de um país feio, triste e desonesto. Onde você destampa, há coisas erradas. Pode crer, um quadro extremo de cegueira deliberada.
            O retrato que salta da pesquisa é contundente: revista “Nova Escola” já mostrou há tempos que apenas cerca de 2% dos alunos do ensino médio consideram a possibilidade de uma carreira docente. Apenas consideram, pois, mais tarde, cerca de 30% dos que pensam nisso desistem da ideia.
            Vamos ser justos. Poucas profissões que exigem qualificação são tão ingratas quanto à docência, principalmente na educação básica. Ora, enquanto um magistrado ganha 10 ou mais que um professor. Outro membro hierárquico da justiça, tantas vezes mais. Um político, que nada faz a não ser tratar de seus próprios interesses, às vezes, até escusos. E o professor, responsável por dar asas ao povo, ganha um salário humilhante.
            Só alguns idiotizados não vêem essa vergonhosa situação. Noutro artigo lembrei aqui que os fatores desestimulantes são vários e crônicos na educação brasileira. A começar pelo salário. O Estado de São Paulo, por exemplo, o mais rico da Federação, não pagou em 2016 sequer o piso nacional dos professores, que era de R$ 2.135,64.
            Some-se ao salário miserável as más condições de trabalho, escolas mal equipadas, falta de segurança e descaso em geral. Não é por acaso mais de 3 mil professores pedem exoneração da rede pública paulista todos os anos.
            Não podemos nos enganar: cerca de 99,5% da rede pública de educação básica é gerida por estados e municípios, ficando o governo federal com 0,5%. Diante da população tem-se a percepção é de que a responsabilidade é do Ministério da Educação. Consequentemente, governadores e prefeitos sofrem pouca pressão da opinião pública.
            Falar de educação no Brasil é ter que carregar nas tintas, e muito!

                    
                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                         lincoln.consultoria@hotmail.com
                                         Advogado e mestre em Administração


            

terça-feira, 18 de abril de 2017

Desperdício de recursos públicos

            Nunca fez tanto sentido dizer que o Brasil é o país da piada pronta. Notadamente quando se refere à falta de seriedade no trato com o dinheiro público.
            Esse proselitismo vergonhoso vem de longe, do tipo: construção da ponte por onde não passa água; da ponte que liga a nada a lugar nenhum; da obra para captar água de um rio seco... Exemplos nunca faltam! Esse é o velho Brasil!
            Agora, recentemente, ficou constatado mais um desperdício de recursos públicos, como foi o caso do programa Ciência sem Fronteiras, criado em 2011, cujo objetivo era copiar a experiência bem-sucedida áreas de pesquisa de outros países no envio de estudantes ao exterior, num esforço para que tivessem contato com novas áreas de pesquisa e pudessem trazer uma bagagem acadêmica mais rica.
            Em verdade, basta um olhar mais apurado para perceber que o referido programa custou muito aos cofres públicos, quase 9 bilhões de reais desde 2011, e o retorno para o Brasil ficou muito aquém do imaginado. Ora, menos de 4% dos bolsistas do Ciência sem Fronteiras conseguiram se formar em tempo regular. Na média, 15% dos alunos cumpriram o curso no período previsto. A principal razão foi exatamente o descasamento entre os currículos das universidades brasileiras e estrangeiras.
            Segundo o ministro da Educação, José Mendonça Filho, em relação ao programa, chamou a política de “Robin Hood às avessas: tira dos mais pobres para dar aos mais ricos”. Pois a maior parte dos bolsistas vinha de boas universidades públicas e cursos de difícil aprovação, territórios da classe média alta. Dados mostram que 64% dos estudantes do programa tinham uma renda familiar condizente com a classe B.   
            Há, decerto, meio mais inteligente de solucionar a contenda. Basta ter critério e seriedade. Espero que o fim desse capítulo, experiência fracassada do Ciência sem Fronteira, não significa que o país deixará de enviar seus talentos para fora.


                                         LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                          lincoln.consultoria@hotmail.com
                                             Advogado e mestre em Administração


            

terça-feira, 11 de abril de 2017

Vergonha de ser honesto

            Poxa vida! Nunca tantos roubaram tanto em tão pouco tempo. A impressão que se tem é que o Brasil está podre. Até para quem deveria zelar pelo uso do dinheiro não consegue se dar ao respeito. Refiro-me à prisão dos cincos Conselheiros do TCE do Rio de Janeiro. Para os rotuladores de plantão, um bando de inconsequentes e de canalhas.
            Dá pra acreditar? Claro que não. A prisão dessa turma foi quase um deboche. Todos agindo ao arrepio da lei. O que leva a citação feita por Ruy Barbosa ser cada vez mais atual: “O homem chega a rir-se da honra, desanimar-se de justiça e ter vergonha de ser honesto”.
            Aqui, mesmo sem bola de cristal, eu arriscaria afirmar que mais prisão vem por aí. As relações perigosas desses Conselheiros com o ex-governador Sérgio Cabral - trambiqueiro contumaz - eram sabidas até pelos postes da rua da cidade carioca.
            Não é exagero retórico asseverar, diante do quadro tão degradante, que é um escárnio, um descrédito aos Tribunais de Conta e uma tapa na cara do brasileiro honesto. Cuja prática não difere dos políticos corruptos: “Um pra eu, um pra tu”, como invoca a música do mestre Luiz Gonzaga.
            Lendo o noticiário, constatei que essa roubalheira ocorrida nesse tribunal, tem origem à falta de critério (sério) na escolha de seus membros. Pois seu presidente, Aloysio Neves, quando era jornalista e figura conhecida na noite carioca, foi preso em flagrante por tráfico de drogas. A polícia encontrou maconha, cocaína e seringas em seu apartamento. Ele sustentou que o flagrante foi forjado e acabou absolvido pelo Tribunal de Justiça. Decisão que até hoje é questionada.
            A sociedade só vai dar conta da gravidade da cultura da ladroagem e destruição de valores éticos quando são denunciados. O cidadão comum, por outro lado, revoltado porque trabalha correndo o risco de demissão, sem privilégios e tendo de sustentar essa turma.

                                           LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                            lincoln.consultoria@hotmail.com

                                                Advogado e mestre em Administração

terça-feira, 4 de abril de 2017

Terceirização do trabalho

            Há mais estridência que substância nas investidas feitas por aqueles que são contra a essa nova relação de trabalho. Como a economia brasileira precisa crescer - depois de sua estagnação nos últimos anos -, é necessário que haja uma flexibilização da nossa legislação trabalhista.
            Muitos, como eu, tentam explicar que a terceirização não significa o fim das leis trabalhistas. A empresa que fornece os terceirizados, por exemplo, é obrigada a seguir a regulamentação vigente. Mesmo assim, a oposição à tese da terceirização continua lutando contra, simplesmente por populismo, ignorância ou má-fé. Tal modalidade de trabalho é um fenômeno mundial, não uma invenção nacional.
            Dita de maneira mais coloquial, a terceirização é inevitável e será uma importante ferramenta de desoneração das empresas. Consequentemente, de geração de empregos. Ou seja: com menos encargos, elas podem contratar mais, sem tanto medo de pagar indenizações no futuro.
            Se há algo que me tira do prumo, me revolta, é a crítica sem qualquer fundamento, que foge da realidade - extemporânea. Digo isso porque: o Brasil é o país com o maior número de ações trabalhistas no mundo. A estimativa do Judiciário é que, a cada ano, 3 milhões de processos sejam ajuizados. Desse volume de novas ações trabalhistas, estima-se que de 30% a 40% estejam relacionadas de alguma maneira à terceirização. Em razão de não existir uma lei específica que trate do tema.
            Trapalhadas brasilienses à parte, agora, na última sexta-feira, o presidente Michel Temer sancionou o projeto de lei que regulamenta a terceirização no país. A medida faz sentido, foi na dose certa. Pois é grave miopia pensar diferente.  
            A lição a tirar é que o Brasil não pode esperar. Uma vez que a estrutura da CLT, da visão do pai protetor, está ultrapassada, não compete mais.

                                          LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                           lincoln.consultoria@hotmail.com
                                              Advogado e mestre em Administração