segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Só a educação salva

            Nas minhas leituras de juventude, mais de quatro décadas atrás, eu já sabia que somente a educação pode salvar o mundo. Pois nenhum brasileiro alfabetizado pode ignorar isso. Tal realidade vai ficando tão escancarada que nem o véu ideológico (contraditório) consegue encobrir.
            A referida assertiva é mais que pertinente quando vejo o depoimento emocionante da professora aposentada, Diva Guimarães, 77, ao revelar para uma plateia presente na última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de que a única forma de combater o racismo no Brasil é pela educação.
            Basta! Não podemos mais tolerar o intolerável (descaso com educação). Os negros, como a professora Diva, só tinham uma chance na vida: estudar. Afirma a pedagoga que as cotas no ensino superior não são um privilégio, mas um dever da sociedade. Durante muito tempo, esse acesso lhe foi podado. É só ler os livros de história para constatar que as cotas sempre existiram – apenas para os brancos e bem-nascidos.
            Com os seus cabelos grisalhos e olhos vivos, ela confessa que sempre foi respeitada como educadora e, quando os alunos lhe procuravam, chateados com alguma discriminação, repetia a mensagem que sua mãe lhe dizia: “Quer ser respeitado? Então seja melhor que eles, tire notas maiores, porque, um dia, vão precisar de você”.
            Em meio a essa realidade inescapável, não é por acaso que a educação no Brasil, ensino público, é ruim, desigual e estagnado. Mais de 65% dos alunos brasileiros no 5º ano da escola pública não sabem reconhecer um quadrado, um triângulo ou um círculo.
            Para evitar mais delongas sobre o tema, espera-se que o depoimento da professora Diva, emocionante e cheio de sensibilidade, seja mais um alerta às nossas autoridades governamentais. Redobrando à premissa de que a educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.


                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                         lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                  Advogado e mestre em Administração
                                        
           

             

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Descaso na Cultura

            Gosto de ler livros, jornais, ouço rádio, procuro assistir bons programas de TV, visito internet, uso as redes sociais, porém sem estresse e longe de ser um vício. Nessa incursão, atualmente, a crise do Estado do Rio de Janeiro tem dominado a minha curiosidade.
            Não é de se surpreender, por irresponsabilidade pessoal e administrativa, aliado ao descaso, o ex-governador Sérgio Cabral foi o seu principal responsável pela situação de desconforto que passa a população fluminense. O cara praticou todo tipo de trambique e desfaçatez. Dificilmente ele vai sair tão cedo do xilindró, espero.
            Lamentável, o novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, carioca, que deveria levar um alento aos seus conterrâneos, preferiu abrir os cofres federais para a elite das escolas de samba, em vez de prestar socorro às bibliotecas. A festa do Carnaval é fantástica, mas já conta com verba da prefeitura, apoio dos bicheiros e um milionário contrato de TV.
            Ora, nada contra a folia, mas há quem precise mais da ajuda do governo. No Rio, três bibliotecas modelo estão fechadas há sete meses por falta de dinheiro. O Teatro Municipal, por sua vez, os funcionaram estão sem receber. Acreditem: o primeiro-bailarino da casa virou motorista de UBER para pagar as suas contas.
            Não vejo em curto prazo solução para o Rio de Janeiro. É bronca para tudo que é lado. O descaso na Cultura também é nítido. Total desprezo em todas as formas de cultura, de produção, de transmissão e aquisição de conhecimento.
            A frustração do que está ocorrendo no Rio vem pela constatação que a Gestão Governamental (administrativa) é decorrente de uma mão lavando a outra. Todos são farinha do mesmo saco. O que vai tirar essa cambada do poder é o voto, que
pode punir e colocá-los no esquecimento da política. Quiçá na cadeia!
            Por isso, a queixa é geral, em não acreditar que há futuro neste País do futuro.


                                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                    lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                     Advogado e mestre em Administração