segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Villa Sanhauá


            “Ver, você certamente vê, como a Villa Sanhauá está ficando uma beleza!”, assim se manifestou um fraterno amigo quando eu lhe visitava em seu escritório empresarial que fica em frente ao conjunto arquitetônico (casarões) do nosso centro histórico.
            Uma obra muito aguardada e pioneira em todo o País por unir moradia e comércio na revitalização de prédios históricos. Iniciativa louvável do prefeito Luciano Cartaxo, sob o zelo e a competência da ex-secretária de Habitação, Socorro Gadelha.
            Sorumbático, como de hábito, àqueles que acham que o centro de nossa cidade não tenha espaço para atividades comerciais e culturais. Não me pergunte a razão... Pura maldade! Só uns enjoadinhos teimam em implicar.
            Nego-me a ver o centro como uma causa irreversível. A questão é que precisamos flexibilizar mais um pouco a legislação municipal para que possa atrair investidores, uma vez que as reformas encarecem e afastam os interessados. Temos que trazer famílias de classes sociais diversas, construindo escolas e centro comerciais. Revertendo o processo de esvaziamento socioeconômico e cultural.
            A oferta de moradias e a revitalização dos prédios são essenciais para essa região. Eu fecharia mais ruas do centro para fazer quadras voltadas ao comércio, centros culturais e moradias. As políticas pensadas para o centro requerem soluções pontuais. É importante fazer um trabalho de longo prazo e integrado entre diversos setores.
            Trazer mais empresas para o centro é fundamental para a revitalização. Se não houver ocupação do ponto de vistas da atividade econômica e da moradia, as tentativas vão continuar inócuas. A verdade é que existe, no Brasil, um descasamento muito grande entre a lei e a realidade que o empreendedor vivencia.
            Acredito que todo gestor público tem que dar seu testemunho, ser exemplo (legado virtuoso) para os outros. A Villa Sanhauá será um bom exemplo, com certeza!

                     
                                                     LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                             lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                                            Advogado e mestre em Administração



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A verdade do assédio


            Mais de uma vez já me vi tentado a escrever, e acabei escrevendo sobre o tema “Assédio Sexual”. Agora volto ao assunto inspirado na excelente entrevista concedida recentemente pela jornalista e escritora Danuza Leão à revista Veja (páginas amarelas) – simples de entender e muito correta do meu ponto de vista.
            Primorosa a entrevista. Não deixa nada sem resposta. Sem hipocrisia, sem meias palavras, sem o inferno do “politicamente correto”. Danuza fala que atualmente as mulheres não são umas pobres coitadas, não são débeis mentais, não são tontas, burras e fracas. São perfeitamente capazes de dizer “não” quando um homem chega assediando.
            Como de costume, disparou uma de suas armas favoritas: a sinceridade. Na boa, ela diz que a mulher adora ser paquerada, uma vez que se sente linda, maravilhosa, poderosa. Sem a paquerada, não há nada, ficam os homens conversando de políticas e as mulheres sobre dietas. Sem paquera, não tem transa. Sem transa, não tem filhos.
            Toda mulher, segundo Danuza, adora o assobio do “fiu-fiu”. Vamos ver se ela não vai gostar de tal situação. É claro que vai, quem não gosta? Ela vai sair de lá se achando e se sentindo maravilhosa. Esse campo de mulher, homem, sexo, sentimento, paquera e assédio é uma coisa muito sutil. É difícil colocar regras e leis fixas para isso.
            Quando se visita o noticiário, verifica-se o caso do homem se masturbando dentro do ônibus, do metrô, nas costas de uma mulher, ele precisa ir para um hospital psiquiátrico. Não é assédio, é doença mental.
À luz disso, digo eu: infelizmente, e repita-se infelizmente, estão deturpando a singela relação de conquistar alguém (pela gentileza e pelo jogo saudável da sedução) com a alcunha de “Assédio Sexual”. Falo sério! Daqui a pouco pedir alguém em namoro vai ser assédio.
A conclusão de Danuza é que a sedução faz parte do mundo. Sem ela esse mundo vai ficar chato.
           
                                           LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                            lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                              Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Lembrando o Carnaval

            Lá se vão onze anos, em fevereiro de 2007, exatamente no período momesco que passei a escrever semanalmente para este precioso, ético e combativo jornal, na condição de um modesto articulista.
            Não sei, mas tive a impressão de me achar para os outros um “possível leitor”, e fui enfrente – escrevendo. Nos textos, procuro (pelo menos, tento) manter o sabor pessoal e direto da boa conversa, das ideias surgidas do nosso cotidiano, da busca de levantar interrogação ali onde tudo parece estar definido. 
            Vem-me à memória que o meu primeiro artigo aqui publicado versava sobre o “Carnaval”, nossa grande festa popular. Oportunidade em que eu falava de um folião amigo chamado Cordeiro, estrepitoso e irreverente, quando estava de pileque dizia: “Cara, carnaval é isso aí! Não preciso ir ao bloco, o bloco é que vem a mim. E completava: “É só engolir a dolorosa, na companhia de uma bela mulher, e entrar na folia”.
            Registrado, também, naquele texto, que o Carnaval só poderia ser entendido olhando-se para trás. Foi aí que me dei conta de que, quando criança, em minha terra natal (Cajazeiras) vivenciei os carnavais inesquecíveis e eternos, com os salões dos clubes (Tênis e 1º de Maio) caprichosamente decorados de máscaras, confetes e serpentinas; animados ao som da orquestra da cidade, cuja sua marca registrada era tocar as velhas marchinhas carnavalescas. É, sim, um pedaço gostoso do meu passado.
            Faz-se imperativo ressaltar que foi a partir do referido artigo que passei montar minhas ideias e compreender melhor às coisas deste mundo: na vida, nada é completamente bom nem completamente mau. A sua releitura tem o sabor nostálgico da descoberta da literatura como uma necessidade cultural.
            Ops! Devo parar por aqui. Bom Carnaval! Que alegria, amor e folia permaneçam sempre em todos os corações.


                                                  LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                   lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                              Advogado e mestre em Administração


           

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Lula condenado

             Era o esperado. O resultado não poderia ser pior pra Lula. Foi irretocável a conduta dos desembargadores que lhe impuseram a condenação em segunda instância, aumentando à pena. Os votos foram substanciosos e consistentes, e não deram margem a dúvidas: Lula usou do seu poder para benefício próprio e enriquecimento ilícito.
            Sua condenação nos remete à situação de um campeão mundial que acaba de ir à lona após receber um cruzado de direita. A chance derradeira de o petista se erguer da lona e continuar na luta, é remota, quase nula. Agora, é esfriar a cabeça e pedir perdão ao povo brasileiro.
            Sobram evidências na peça condenatória de que suas relações com os grandes empreiteiros feriram, na hipótese mais branda, a ética republicana. Não prosperou o mantra repetido à exaustão por Lula e seus seguidores de que não há provas contra ele, e sim, perseguição política. De fato, a acusação contra Lula não apresentou o que vulgarmente é chamado de “batom da cueca”, mas isso é frequente em casos de corrupção de altas autoridades.
            A verdade, em português claro, é que o Brasil não precisa de Lula. Se cair fora da vida política, não fará falta nenhuma. Ele não inventou a corrupção, mas aperfeiçoou a níveis inimagináveis, fazendo com que não tivesse adversários à altura em praticamente todas as áreas de poder do País.
            Mas não é só isso. Os míopes seguidores de Lula esbravejam que no caso Brahma – um dos seus codinomes revelados nas delações premiadas – não venha disputar a eleição presidencial deste ano, eles vão apontar ao surrado artifício retórico a um “golpe”, associando ao impeachment de Dilma Rousseff. Ora, tenham paciência!
            Termino com um saber consagrado: a Justiça foi feita! Apesar de todas as tentativas de colocar o clichê de politização do processo, ao final prevaleceu o critério jurídico, ou seja, os fatos.


                                                 LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                  lincoln.consultoria@hotmail.com

                                                                       Advogado e mestre em Administração

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Fim da revista “Caros Amigos”

            Qualquer revista ou jornal de expressão que fecha as suas portas eu fico desolado, muito triste. Pela simples razão: independente de sua linha política editorial é uma fonte de saber que vai deixar de nos alimentar conhecimentos.
            Mesmo expondo abertamente o seu viés esquerdista (frise-se Lula, Dilma e Cia), lamentável que a revista “Caros Amigos” tenha deixado de circular nesse vendaval de mudanças tecnológicas e seus impactos nas relações sociais, na comunicação de massa, na reorganização das sociedades e mercado. Cuja leitura eu acompanhava desde 2005.
            Foi, sim, o fim de um jornalismo vibrante, curioso e bem-humorado. O mais das vezes alguns articulistas esbravejavam, ironizavam e até ignoravam a realidades de fatos históricos da nossa estridente política. Satanizavam por demais o governo Temer, igual a todos os governantes de direita. Ah, claro. Um pote até aqui de mágoa.
            Apesar das dificuldades financeiras, em nenhum momento deixou-se de pensar na qualidade e relevância das pautas e temas. Seu diretor-geral, Wagner Nabuco, primava por isso. Procurava sempre produzir um veículo crítico para se contrapor ao jornalismo hegemônico. Quer queira quer não, sua ausência empobrece o debate.
            Tenho comigo certo senso de que a democracia, a justiça social e a defesa da nossa soberania dependem e precisam de pluralidade de vozes de pontos de vista. Sem uma mídia democrática não haverá um Brasil democrático, mais justo e igualitário. Fortalecer as grandes corporações midiáticas é esmagar a mídia alternativa. Tem mais: li outro dia que um dos motivos fortes para a quebra da indústria de mídia deve-se a quebra da confiança do público. Algo que não estão levando em conta.
            O fim da revista “Caros Amigos” deixa diminuta a grande imprensa. Apelamos, porém, para que os seus ex-articulistas, a exemplo de Frei Betto, Gilberto Felisberto, José Arbex Jr. e tantos outros, continuem militando de maneira independente, responsável e, acima de tudo, colaborativo.

                                                    LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                     lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                        Advogado e mestre em Administração
               


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Mais um baque na corrupção

            O título desse artigo poderia ser “Um símbolo que caí”, por que não “O fim de uma era” ou então “Queda do professor da corrupção”, e tantos outros. Não poderia ser diferente para quem já tem o seu nome (Paulo Maluf) como verbete obrigatório em qualquer compêndio sobre política brasileira. Como o verbo “malufar” que significa fraudar, roubar os cofres públicos.
            Não tenho prazer sádico de ver ninguém preso, mais ainda que tenha 86 anos. Mas que a prisão de Paulo Maluf foi correta, ninguém pode censurar. Foi condenado a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime fechado por crimes de lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia, o deputado ocultou dinheiro desviado de obras públicas. Em março deste ano, gabou-se de não constar do rol de investigados na Lava Jato e no mensalão. Enfim, um desenlace melancólico para o doutor da corrupção.
            Até então, ele apostou na lentidão da Justiça como garantia de sua eterna e tranquilíssima impunidade. Considerado o rei do cinismo, que sempre jurou não ter dinheiro no exterior, já havia sido condenado na França. No Brasil, apesar das blindagens concedidas aos parlamentares, o STF o condenou. Finge ter dificuldades para andar, mas só quando é filmado. Ademais, perdeu o medo e a vergonha de exibir-se à luz do dia.
            Mais irônico de tudo é que houve época em que eu até ria dessa sua performance “malufista”. Hoje, evidentemente, que não é coisa para rir. Os trejeitos e cacoetes verbais sempre dominaram o seu comportamento político. Sua herança introduziu o cinismo na sociedade, ajudando a enfraquecer a combalida moralidade da prática política.
            Muitos, agora, apontam o dedo contra o Maluf. Poucos, entre eles, são menos culpados do que o próprio Maluf. Mais raros ainda os que têm a hombridade de limpar-se antes de mostrar a sujeira dos outros.


                                           LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                            lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                              Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Falta de patriotismo

                             
            Às vezes, aqui neste espaço, faço minhas críticas de forma veemente às mazelas que ainda existem em nosso País, mas que jamais perdi a esperançam e a utopia de um Brasil melhor.
            Sou daquele, como se diz, “Sonhar pequeno e sonhar grande dá o mesmo trabalho”. Então, neste ano novo, vamos renovar o desejo de sonhar grande. O Brasil não é apenas feito de políticos corruptos, mas é feito de algo muito maior e bonito.
            Ora, não ouse criticar o País com os pés cravados em solo pátrio. Quem fala mal de uma terra abençoada como a brasileira não merece pisá-la. Ainda há tempo para mudar, e quem sabe até pedir desculpas.
            Olha só! Não falta quem jure de pés juntos que isso é conversa pra boi dormir. Parece papo antigo, mas não é. É uma idiotice quem fala isso tem espírito pequeno. Pois o patriota é aquele que ama seu país e procura servi-lo da melhor forma possível.
            Como diz meu velho amigo Cordeiro, com sua verve afiada e pontiaguda, “Nós sempre fomos meio vira-lata na questão do sentimento patriótico”. Muitos estão a serviços de seus interesses que passam bem longe da verdade noção de patriotismo.
            Levantamos as mãos pra o céu e agradecemos a Deus por ter criado o Brasil com a melhor fauna e flora de sua invenção e poupo-o de vulcões, terremotos e furacões. Vamos acabar com o faz-de-conta. Precisamos difundir o amor à pátria. A nação está acima das diferenças ideológicas, econômicas ou sociais.
            Vamos continuar apostando na construção de um grande país e não de quem só quer atrapalhar o seu progresso, pela pequenez, pela indignidade e pela canalhice. Se ensinássemos o patriotismo à população, não haveria tantos corruptos e vândalos entre nós.
            Quem não gosta do Brasil, que se dane! Pode parecer caretice, mas na verdade é uma manifestação de orgulho de ser brasileiro.


                                                       LINCOLN CARTAXO DE LIRA

                                                        lincoln.consultoria@hotmail.com