terça-feira, 22 de maio de 2018

A busca pela felicidade


             No início deste semestre, a Universidade de Yale, nos Estados Unidos, inseriu na grade da faculdade de psicologia o curso “Psychology and the Good Life”, um apanhado de aprendizados sobre como ser feliz. Em poucos dias, o curso tornou-se recordista em número de matrículas (1.200) nessa referida universidade, fundada em 1701.
             Então, por que tanta gente está recorrendo a professores para desvendar o caminho da felicidade? “Algumas pessoas são naturalmente otimistas e felizes – é genético. Mas o que a maioria das pesquisas mostra é que todos podem aumentar a felicidade com algumas práticas. O problema é que essas práticas dão trabalho”, explica a professora Laurie.
            Entre esses aprendizados, destacaria aquele que nos leva a se concentrar em gerar emoções positivas como amor, perdão, gratidão e compaixão. Note que todas essas emoções envolvem outras pessoas. Não se pode ter emoções positivas em uma ilha deserta. Achar que tudo é com você só gera infelicidade.
            Tenho para mim que certas pessoas acreditam que poderiam cultivar a felicidade em laboratório. Isolam-se do mundo, expulsam as pessoas complicadas de sua história e as dificuldades de sua vida. Comportamento de mau gosto e um atestado de indigência intelectual.
            Portanto: curta seus amigos, brinque com os seus pais, beije-os, toque-os. Dê mais valor ao conteúdo do que a embalagem - valorize-se o que você é. Seja feliz do jeito que você é. Como se diz “A felicidade não é um destino. É um método de vida”. Busque ser eficiente, lúcido e trabalhe em equipe. Mas não viva para trabalhar – trabalhe para viver. Aposente-se de seu trabalho, mas não aposente sua inteligência.
            Mas uma coisa parece-me evidente: felicidade é saber aproveitar todos os momentos como se fossem os últimos. Procurando viver cada minuto como um momento inesquecível.

                                            LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                             lincoln.consultoria@hotmail.com
                                              Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 15 de maio de 2018

Os efeitos da reforma trabalhista


                   
             Basta que se tenha um olhar mais ortodoxo sobre a Legislação Trabalhista, antes da reforma, para saber que do jeito que a coisa andava, mais cedo ou mais tarde, a reforma ocorreria. Como de fato ocorreu. Foi um alento para as empresa empreendedoras, como também, para os empregados bem intencionados.
            Não adiante, agora, criticar por criticar a reforma trabalhista em época de eleição. Ela foi promulgada e o Congresso é a fonte primária da lei. Gostemos ou não de nossos parlamentares, eles são eleitos, passam pelo crivo popular e têm legitimidade para definir as normas e regras processuais.
            Vamos falar sério: a nova Legislação Trabalhista cumpriu um de seus principais objetivos, ao barrar de vez a enxurrada de processos abertos na Justiça e disciplinar as queixas feitas pelos trabalhadores. Logo que a lei entrou em vigor (11/17), o número de novos casos apresentados nas varas do Trabalho de todo país caiu pela metade. Ou seja, a média mensal era de 240.000 processos, antes da reforma, para 110.000, depois dela (3/18).
            Agora, meu camarada, quando o trabalhador perde a ação, precisa pagar os custos advocatícios de seu antigo patrão. Isso, por si só, tem agido como fator de dissuasão. Antes, os processos incluíam uma lista de pedidos sem fim, que iam do pagamento de horas extras e verbas rescisórias até danos morais. Apenas a União gasta (gastava), a cada ano, 4 bilhões de reais em ações trabalhistas de servidores da ativa.
            Pelo visto, acabaram as “ações aventureiras” ou “indústria de ações”. Infelizmente, muita gente se deu bem com isso. A situação beirava o inacreditável. Nunca se viu nada igual, em lugar nenhum do mundo. Já cheguei me comover às lágrimas por alguém que perdeu tudo por essa prática absurda, deprimente, vergonhosa.
            Viu? A reforma trabalhista está pegando!


                                         LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                          lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                 Advogado e mestre em Administração
               

domingo, 6 de maio de 2018

Chico Buarque


            Até que enfim consegui realizar um grande sonho: assistir um show ao vivo desse gênio, mestre e grande poeta da música popular brasileira. Eu bebo na fonte de Chico. Ele é realmente insuperável, arrasa em tudo que faz em termo de música.
      Esse show, chamado “Caravanas”, baseado no seu mais recente disco, ocorreu no Teatro Guararapes, último sábado (5/5), em Olinda. O repertório contempla canções novas, como também, clássicos da respeitada carreira de mais de cinco décadas, como “Retrato em branco e preto”, “Iolanda”, ”Partido alto”, “Todo sentimento”, “Sabiá”, “Geni e o zepelim”, “Futuros amantes” e “Paratodos”.  
            Foi, sim, uma satisfação vê-lo no palco. A bem da verdade, eu estava ali para reverenciá-lo por tudo aquilo que ele representa para nossa cultura musical. Não importa qual seja a posição política do Chico Buarque, o que importa é a sua genialidade: de cronista e letrista. Alguns babacas, intolerantes, por sua vez, ficam tirando sarro dessa situação (ideológica). Pura idiotice, santa ignorância!
            Chico continua soberano, estilo elegante, sóbrio e ao mesmo tempo coloquial. Apesar de sua idade (73 anos), apresentou-se com incrível performance: cantando, dançando e brincando com público. Às vezes, o cantor titubeia, esquece a letra e é socorrido pela plateia que o admira com fervor.
            Nesse passeio “buarqueano”, veio-me à cabeça o elogio feito por outro poeta maior Carlos Drummond de Andrade, através de uma crônica, quando Chico lançou a música “A banda”: “E se o que era doce acabou, depois que a banda passou, que venha outra banda, Chico, e que nunca uma banda como essa deixe de musicalizar a alma da gente”.
            O sucesso de Chico, como cantor e compositor, um ourives dos versos e melodias, nos leva a reflexão de que a gente precisa caminhar para um mundo mais sensível, capaz de amar e perdoar.

                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                     lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                    Advogado e mestre em Administração



terça-feira, 1 de maio de 2018

Juros ainda escorchantes


            As taxas de juro continuam pela hora da morte, infelizmente. Cada vez mais cansativa a desculpa dos bancos de que os juros de algumas operações, como a do cheque especial, não caem por causa da inadimplência.
            Isso tudo é conversa fiada. Basta de hipocrisia. Quer ver uma coisa? Os juros caem há 16 meses, mas a taxa do cheque especial (324% ano) não sai do lugar, como também, as taxas de Cartão de Crédito (334,5% ao ano), outra imoralidade. A pressão sobre os bancos está crescendo. O bom que eles já estão sentindo. A mudança é apenas questão de tempo.
            A causa básica dessa situação escabrosa deve-se a concentração bancária. O fato de apenas cinco bancos terem mais de 80% dos ativos financeiros no País. Por isso, as queixas se acirram num quadro em que o Brasil se recupera com vagar recessão econômica e o total de empréstimos ainda está em queda. Inconcebível que desde setembro de 2016, a taxa Selic do Banco Central, já caiu de 14,25 para os atuais 6,5%, mas, mesmo assim, não se viu nada de alteração das taxas de juro aplicadas pelos bancos.
            Tá na cara: que a concentração de bancos leva à redução na concorrência. Os bancos fazem propaganda do crédito hipotecário, do crédito para automóvel, e fica parecendo que há concorrência. Ledo engano. Na concorrência verdadeira ocorre uma pressão grande sobre os preços, e, para conquistar clientes, é necessário baixar o preço. No caso dos bancos, baixar as taxas de juro.
            Falemos francamente: é preciso dizer aos órgãos de regulação e defesa da concorrência para agir com mais rigor contra a concentração bancária. Deputados e senadores, que costumam entoar discursos inflamados contra as taxas escorchantes, também têm de assumir suas responsabilidades. Falar nisso, foi instalada recentemente no Senado uma CPI para investigar juros extorsivos cobrados por instituições financeiras. Será que pega?
            Pra encurtar o papo, o Brasil ainda vive um momento de “desotimismo” econômico, e as nossas instituições financeiras têm sua cota para isso.


                                                          LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                          lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                                                  Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 24 de abril de 2018

Uma Nova História de Hitler


            Sempre me desperta certa curiosidade quando vejo alguma obra falando sobre a Segunda Guerra Mundial, ou melhor, sobre a figura controversa de Adolf Hitler - uma personalidade neurótica, instável e  paranoica. 
            O livro “Uma Nova História de Hitler e dos Nazistas” (M.Books Editora, 2017), autoria de Paul Roland, que acabo de ler, difere das histórias mais convencionais sobre o Terceiro Reich pelo fato de argumentar que o Estado Nazista foi mais do que um fenômeno sociopolítico. Ao contrário, ele foi a manifestação da personalidade fatalmente doentia do seu Führer.
            Ele tinha o poder da oratória impressionante. Começava em tom baixo, sedutor, e crescia até um clímax estático após o qual se retirava do pódio exaurido de força e encharcado de suor, com um semblante de satisfação nos olhos. Nos seus discursos apelava para o inflado senso de orgulho nacional e a vaidade dos alemães.
            Hitler não conseguia aceitar a derrota, e quando isso aconteceu, vociferava e se enraivecia, dizendo que iria arrastar a nação para o abismo com ele, pois o povo alemão era evidentemente “indigno” de seus sacrifícios. Em vez de se aconselhar com homens com grande caráter, rica experiência e ampla visão, ele evitou-se e garantiu que não tivesse nenhuma chance de influenciá-lo. Não permitiu outros deuses além dele.
            Para manter o poder, ele estabeleceu um reino indomável de terror, destruindo a justiça, banindo a decência, zombando dos comandos divinos da humanidade pura, e destruindo a felicidade de milhões de pessoas. Hitler não tinha justificativa para o seu ódio contra os judeus, nenhuma vingança pessoal para cometer, mas ele vociferava sua repulsa contra uma raça que, poder-se-ia dizer, tinha mais direitos à cidadania alemã do que ele próprio, sendo um austríaco, um “estrangeiro”.
            Pelo que deduzi dessa belíssima obra, será difícil encontrar um retrato mais acurado de Adolf Hitler e dos Nazistas. Recomendo-lhes a leitura! 

                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                         lincoln.consultoria@hotmail.com
                                            Advogado e mestre em Administração


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Reflexo do meu jeitinho


            Estou convencido, cada vez mais, com o passar dos anos, que o “jeitinho brasileiro” é uma moeda corrente para se conseguir transitar no cotidiano de quase todo brasileiro.
            Abundam os exemplos dessa prática tupiniquim. Do cara que não pensou duas vezes e pagou indevidamente sua carteira de motorista, quando soube que foi reprovado no exame prático. Aquele, para não ficar sem os jogos de futebol aos domingos, comprou um aparelho desbloqueador de sinais de TV a cabo, o famoso gato. Outro que falsificou a carteirinha de faculdade para continuar pagando meia-entrada em eventos.
            A estridência dessa realidade deixa uma interrogação no ar: até que ponto, estamos sendo responsáveis pela onda de corrupção espalhada por este Brasil afora? É um sintoma preocupante de que algo está errado com o nosso modelo de comportamento. Daquilo que já passou a ser hábito: “Ah, dá um jeitinho”.
            Curioso, no entanto, críticos ferrenhos da corrupção na esfera pública, porém tentando se dar bem no âmbito privado, com suas pequenas corrupções. Pior: é tratado com um eufemismo socialmente aceito, chamado docilmente de “jeitinho” – que nada mais é do que burlar a lei.
            Não é por acaso, ao avaliar a relação do brasileiro com as leis, a pesquisa constatou que 81% dos entrevistados afirmaram que, sempre que possível, escolhem dar um “jeitinho” em vez de seguir as normas. Reflexo disso é que existe o eleitor brasileiro que nutri o exemplo do político que “rouba, mas faz algo por mim”. Infelizmente é esse patrimônio de gratidão que ajuda a manter certos agentes políticos à frente nas pesquisas de intenção de votos.
            Percebe-se que temos que continuar persistindo como povo em vencer os velhos estigmas de nossa cultura. Ser ético sem deixar de ser brasileiro, ou melhor, dando um Jeito no Jeitinho.

                                               LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                          Advogado e mestre em Administração


terça-feira, 10 de abril de 2018

Cabedelo em chamas


            Não se deixe assustar pelo título acima. Apenas uma metáfora para retratar com tristeza o escândalo de corrupção ocorrido na prefeitura de Cabedelo. Episódio de embrulhar o estômago. Sem nenhuma vírgula de pudor.
            É isso. Uma verdadeira promiscuidade moral, uma traquinagem vergonhosa que teve como envolvido o prefeito e assessores, presidente da câmara e outros vereadores, como também, certos empresários inescrupulosos. Impossível ficar indiferente à malversação do dinheiro público. É urgente que se apure a responsabilidade penal de todos os envolvidos.
            É lamentável, de todo modo, que a corrupção no Brasil não ocorre esporadicamente, ela é um processo estruturante da política e da administração pública, um processo que opera nos municípios, nos estados e no governo federal. A razão é conhecida: a política e seus representantes tornaram-se alvo da indignação social na esteira de escândalos em série. As premissas para acabar com essa imoralidade estão claras. É preciso ética, caráter, compromisso.
            No fundo, todos aqueles envolvidos nesse mundo de falcatruas, é o de que os fins justificam os meios, argumento esdrúxulo e escabroso. Mesmo a obra “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel, contendo mais de quinhentos anos, ela continua presente na atualidade: sistema político que se baseia na astucia, na má fé, no amoralismo e no princípio de que os fins justificam os meios empregados para sua consecução.
            Mas voltando à Cabedelo. Maquiavel é fichinha, é filme queimado, da moderna pilantragem que atingiu a prefeitura desse município. Segundo as investigações policiais – Operação Xeque-mate, o prejuízo, só em 2017, seria de R$ 30 milhões.
            Antes de encerrar essa minha falação, me veio à memória uma citação de Maquiavel, como gostava repetir meu professor de colegial: “Todos vêem o que você parece ser, mas poucos sabem quem você realmente é”.


                                               LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                  Advogado e mestre em Administração