segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Retrocesso na educação

            Ora, de tanto ler nulidades, todos os dias, nas manchetes de jornal, nosso âmago está ficando sombrio. Como se não bastasse, os efeitos da crise agora estão atingindo os nossos estudantes: sem dinheiro, estão deixando de se matricular e abandonando cursos.
            Algo idiotizado. Porque não dizer perverso para o conhecimento da futura geração de brasileiros. Pois estamos careca de saber que educação é a mola propulsora para o crescimento e desenvolvimento social e econômico de uma nação. Se educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda – já dizia o mestre Paulo Freire.
            Trata-se de uma questão dramática quando se verifica que as Universidades brasileiras estão no pelotão de trás, revela um novo ranking mundial divulgado recentemente. No geral, o Brasil, que havia emplacado 27 entre as 1000 melhores do mundo, agora tem só 21. Mas não só isso: o número de jovens matriculados no ensino superior também encolheu pela primeira vez em 25 anos.
            As notícias não acabam: a crise econômica, que ceifou empregos e deixou os quem têm trabalho com medo da demissão, tem espantado muitos aspirantes à universidade. Também a taxa de evasão dos que já estão lá dentro saltou 44% em cinco anos, a maioria por não conseguir arcar com as mensalidades. A que ponto chegamos!     
Nossos tropeços educacionais estão custando caro para quem de fato almeja um futuro promissor. Para os países desenvolvidos somos tratados como seres apáticos desprovidos de inteligência. Como batessem palmas para a nossa mediocridade.
Não podemos xingá-los por tal atitude, uma vez que a própria ex-presidente Dilma Roussef não consegue lembrar o título  do livro que tanto havia impressionado na semana anterior, ou ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.
Não acho: minha convicção é que temos uma eterna síndrome de pequenez na educação.

                                      LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                        lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                Advogado e mestre em Administração

        

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A violência sexual

            Começo com um exemplo surreal. Em Uriçuí (sul do Piauí), uma grávida de 15 anos foi estuprada por três adolescentes, e o namorado, morto na sua frente. Em outro caso: um vídeo que circulou nas redes sociais, quatro rapazes estupram uma menina de 12 anos numa comunidade localizada na Baixada Fluminense, no Rio.
            Não é à toa que nesse caldo (do estupro) viceja deterioração e desmoralização a nossas autoridades policiais e judiciais. Cumpre notar que a violência sexual contra a mulher é um crime invisível, há muito tabu por trás dessa falta de dados. Muitas mulheres estupradas não prestam queixa. Às vezes, nem falam em casa porque existe a cultura de culpá-las mesmo sendo as vítimas. Ah, isso tudo dói um bocado.
            Não custa lembrar: pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que apenas 10% do total de estupros são notificados. Considerando que há 50 mil casos registrados por ano (na polícia e nos hospitais), o País teria 450 mil ocorrências ainda “escondidas”.
            Divirjo respeitosamente daqueles que advogam, simplesmente, aumentar pena como solução para acabar com estupro, nunca foi e nunca será. Uma pauta que se apequena. É no mínimo estreiteza intelectual. A verdade é que o estupro já tem uma das maiores penas no Código Penal, e mesmo assim é um crime que está crescendo a cada dia nos prontuários oficiais.
            Ao leitor desse prestigioso jornal, digo sem rodeios: temos que ir até a raiz do problema, enquanto isso não mudar, não vamos mudar esse quadro triste de violência contra as mulheres. E a única forma de resolver esse problema é mudar a mentalidade dos homens através da educação, para que, efetivamente, não cometam mais estupros. Só através da educação, da discussão sobre feminismo e gênero nas escolas, universidades e em todos os locais, que vamos conseguir evitar os estupros.
            Pense bem. Pense com calma. Em razão das mazelas do nosso Sistema Penitenciário, aumento de pena nunca reduziu crime algum e não vai funcionar com estupro.

                                             LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                             lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                Advogado e mestre em Administração


                                                 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A dívida brasileira

            Já disse várias vezes, aqui neste espaço, que sou um otimista contumaz. Mas nem sempre é fácil ter essa percepção à dura prova da realidade que ora passa a economia no Brasil, sobretudo quando vejo o relato feito por um dos mais lendários financistas do País, Luiz Cezar Fernandes.
            Com seu jeito despojado e sem papas na língua, ele diz que o Brasil pode estar caminhando para um calote da dívida interna. Não é suportável com os níveis de taxa de juros. Se o Banco Central reduzisse a taxa Selic para algo em torno de 5% ao ano, nada aconteceria com a inflação. Criticou ainda o rentismo da economia brasileira, que criou uma sociedade de pessoas que vivem de juros, e não da produção. Olha quem está falando isso é um banqueiro, que fundou instituições como Garantia e Pactual.
            Na sua visão, a situação brasileira é mais grave do que da Grécia e a necessidade de ajuste fiscal pode vir a ser muito maior. Ele cita o exemplo de Portugal, em que salários de servidor público chegaram a ser reduzidos em cerca de 30%.
            Tenho que reconhecer que a nossa situação é de urgência. O milagre do crescimento exponencial das receitas, pressupostos para o atendimento do conjunto das demandas, não ocorreu. Apesar de alguns modestos sinais de melhoria da economia, a crise continua braba. Uma verdade indigesta, infelizmente.
            Para quem já queimou os fusíveis, como eu, ainda tento entender o vaivém da nossa política monetária. É insuportável a dívida brasileira com esses níveis de taxa de juros. Não tenho curso de leitura de mãos, mas está na cara que se for mantida a trajetória atual de juros, um calote da dívida é inevitável.
            Com toda franqueza, com essa recessão desenfreada e com a inflação abaixo da meta (sob controle), não podemos perder tempo mais uma vez, aceitando outro ciclo de inércia, de incompetência exacerbada, atraso deliberado, ganância bancária...
            Como diz um bordão de um programa humorista: “E o povo, ó...”.


                                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                                 lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                             Advogado e mestre em Administração   

               

            

sábado, 26 de agosto de 2017

Orquestra Tabajara

            Na semana passada, caiu-me aos olhos o livro “Orquestra Tabajara de Severino Araújo”, escrito por Carlos Caraúccio e publicado pela Companhia Editora Nacional (1ª ed., 2009). Uma narrativa tão cuidadosa e tão deliciosa à altura desse fenômeno da música brasileira. Seja como exímio instrumentista, seja como genial arranjador.
            A Tabajara, eterna big band brasileira, assim chamada, foi criada em João Pessoa (1933), a mais longeva e um dos mais férteis celeiros de grandes instrumentistas do País. A sua herança sonora mantém-se viva graças à inventividade dos músicos que passaram pela orquestra (registrada em mais de cem discos), sob a batuta do grande mestre musical Severino Araújo (1917-2012).
            Particularmente, essa famosa orquestra me traz boas lembranças e saudades dos grandes bailes de Carnaval no nosso Clube Cabo Branco – “época dourada (década de 1970)”, onde centenas de foliões ansiosos aguardavam a entrada da Tabajara no palco, para se esbaldarem em frevos e sambas até as quatro horas da manhã.
            Lá pelos idos de 1940 a 1944, além do Cabo Branco e do Astréa, João Pessoa contava com outro espaço em que a Tabajara se apresentava com frequência, o Cassino da Lagoa. Aos domingos, das cinco da tarde às nove da noite, Severino e sua trupe faziam a alegria de centenas de animados dançarinos.
            Já na Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro, o som da Orquestra Tabajara passou a fazer parte do mundo de glamour, fosse ao Copacabana Palace, Hotel Glória ou Cassino da Urca, que duraria pelo menos quatro décadas. O cenário era salões de bailes enfumaçados, exalando aromas de cigarros europeus, entre flores e garrafas de champanhe. A madrugada unia os ternos de casimira e os vestidos plissados de cetim.
            Cabe, nessas apressadas linhas, louvar o autor Caraúccio que deixou para a história o registro da vida artística, cultural e musical desse notável brasileiro Severino Araújo e da Orquestra Tabajara.


                                                           LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                            lincoln.consultoria@hotmail.com

                                                                                     Advogado e mestre em Administração

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Carência de líderes

            É preciso reafirmar que o Brasil necessita de líderes acima de qualquer suspeita. As instituições públicas não devem servir de escudo aos que enfrentam acusações, tampouco parlamentares lobistas que utilizam pautas legislativas em busca de vantagens setoriais à custa do erário.
            Para enveredar num rumo virtuoso, precisamos sim de líderes abnegados e comprometidos com as causas sociais. Não há nada, nada mais urgente, neste País, do que criar uma geração de novos líderes à altura das responsabilidades morais e éticas.
            A carência de líderes no Brasil lembra um navegante perdido em oceano tempestuoso, sob céu nublado e sem bússola nem estrelas para se orientar. O exemplo dos nossos grandes vultos nacionais foi jogado na lata do lixo da história.
            Já vai longe o tempo em que tínhamos grandes líderes na política, do quilate de um Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas, Leonel Brizola... A política ficou com má fama. Perdeu o sentido nobre. Foi entendida como um lugar de malandro.
            A explicação para tal situação é que a redemocratização dos anos 1980 coincide com o desinteresse dos jovens pela política, provocada pela desmoralização da prática política, como também, pela falta de mecanismos de participação na política. Como isso: a política atraiu àqueles que não encontraram lugar no mercado de trabalho ou de celebridades decadentes.
            Isso, caros leitores, é o que está acontecendo. Faça o esforço que fizer, não dá para não reconhecer essa lacuna de grandes lideranças no cenário político. Os nomes que aparecem representam o velho e, pior, mais radicalizado. Lula representa o velho à esquerda. Bolsonaro representa o velho à direita. Dória aparece com uma visão burocrática, gerencial, mas que ainda não foi testado. Logo, não é preconceito. É uma obviedade.
            Enfim, falta ao Brasil um líder com uma visão modernizadora da política, baseada nos princípios de inclusão social, responsabilidade fiscal e modernização na área dos costumes.


                                              LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                               lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                Advogado e mestre em Administração


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Só a educação salva

            Nas minhas leituras de juventude, mais de quatro décadas atrás, eu já sabia que somente a educação pode salvar o mundo. Pois nenhum brasileiro alfabetizado pode ignorar isso. Tal realidade vai ficando tão escancarada que nem o véu ideológico (contraditório) consegue encobrir.
            A referida assertiva é mais que pertinente quando vejo o depoimento emocionante da professora aposentada, Diva Guimarães, 77, ao revelar para uma plateia presente na última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de que a única forma de combater o racismo no Brasil é pela educação.
            Basta! Não podemos mais tolerar o intolerável (descaso com educação). Os negros, como a professora Diva, só tinham uma chance na vida: estudar. Afirma a pedagoga que as cotas no ensino superior não são um privilégio, mas um dever da sociedade. Durante muito tempo, esse acesso lhe foi podado. É só ler os livros de história para constatar que as cotas sempre existiram – apenas para os brancos e bem-nascidos.
            Com os seus cabelos grisalhos e olhos vivos, ela confessa que sempre foi respeitada como educadora e, quando os alunos lhe procuravam, chateados com alguma discriminação, repetia a mensagem que sua mãe lhe dizia: “Quer ser respeitado? Então seja melhor que eles, tire notas maiores, porque, um dia, vão precisar de você”.
            Em meio a essa realidade inescapável, não é por acaso que a educação no Brasil, ensino público, é ruim, desigual e estagnado. Mais de 65% dos alunos brasileiros no 5º ano da escola pública não sabem reconhecer um quadrado, um triângulo ou um círculo.
            Para evitar mais delongas sobre o tema, espera-se que o depoimento da professora Diva, emocionante e cheio de sensibilidade, seja mais um alerta às nossas autoridades governamentais. Redobrando à premissa de que a educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.


                                        LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                         lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                  Advogado e mestre em Administração
                                        
           

             

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Descaso na Cultura

            Gosto de ler livros, jornais, ouço rádio, procuro assistir bons programas de TV, visito internet, uso as redes sociais, porém sem estresse e longe de ser um vício. Nessa incursão, atualmente, a crise do Estado do Rio de Janeiro tem dominado a minha curiosidade.
            Não é de se surpreender, por irresponsabilidade pessoal e administrativa, aliado ao descaso, o ex-governador Sérgio Cabral foi o seu principal responsável pela situação de desconforto que passa a população fluminense. O cara praticou todo tipo de trambique e desfaçatez. Dificilmente ele vai sair tão cedo do xilindró, espero.
            Lamentável, o novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, carioca, que deveria levar um alento aos seus conterrâneos, preferiu abrir os cofres federais para a elite das escolas de samba, em vez de prestar socorro às bibliotecas. A festa do Carnaval é fantástica, mas já conta com verba da prefeitura, apoio dos bicheiros e um milionário contrato de TV.
            Ora, nada contra a folia, mas há quem precise mais da ajuda do governo. No Rio, três bibliotecas modelo estão fechadas há sete meses por falta de dinheiro. O Teatro Municipal, por sua vez, os funcionaram estão sem receber. Acreditem: o primeiro-bailarino da casa virou motorista de UBER para pagar as suas contas.
            Não vejo em curto prazo solução para o Rio de Janeiro. É bronca para tudo que é lado. O descaso na Cultura também é nítido. Total desprezo em todas as formas de cultura, de produção, de transmissão e aquisição de conhecimento.
            A frustração do que está ocorrendo no Rio vem pela constatação que a Gestão Governamental (administrativa) é decorrente de uma mão lavando a outra. Todos são farinha do mesmo saco. O que vai tirar essa cambada do poder é o voto, que
pode punir e colocá-los no esquecimento da política. Quiçá na cadeia!
            Por isso, a queixa é geral, em não acreditar que há futuro neste País do futuro.


                                                   LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                    lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                     Advogado e mestre em Administração