terça-feira, 18 de abril de 2017

Desperdício de recursos públicos

            Nunca fez tanto sentido dizer que o Brasil é o país da piada pronta. Notadamente quando se refere à falta de seriedade no trato com o dinheiro público.
            Esse proselitismo vergonhoso vem de longe, do tipo: construção da ponte por onde não passa água; da ponte que liga a nada a lugar nenhum; da obra para captar água de um rio seco... Exemplos nunca faltam! Esse é o velho Brasil!
            Agora, recentemente, ficou constatado mais um desperdício de recursos públicos, como foi o caso do programa Ciência sem Fronteiras, criado em 2011, cujo objetivo era copiar a experiência bem-sucedida áreas de pesquisa de outros países no envio de estudantes ao exterior, num esforço para que tivessem contato com novas áreas de pesquisa e pudessem trazer uma bagagem acadêmica mais rica.
            Em verdade, basta um olhar mais apurado para perceber que o referido programa custou muito aos cofres públicos, quase 9 bilhões de reais desde 2011, e o retorno para o Brasil ficou muito aquém do imaginado. Ora, menos de 4% dos bolsistas do Ciência sem Fronteiras conseguiram se formar em tempo regular. Na média, 15% dos alunos cumpriram o curso no período previsto. A principal razão foi exatamente o descasamento entre os currículos das universidades brasileiras e estrangeiras.
            Segundo o ministro da Educação, José Mendonça Filho, em relação ao programa, chamou a política de “Robin Hood às avessas: tira dos mais pobres para dar aos mais ricos”. Pois a maior parte dos bolsistas vinha de boas universidades públicas e cursos de difícil aprovação, territórios da classe média alta. Dados mostram que 64% dos estudantes do programa tinham uma renda familiar condizente com a classe B.   
            Há, decerto, meio mais inteligente de solucionar a contenda. Basta ter critério e seriedade. Espero que o fim desse capítulo, experiência fracassada do Ciência sem Fronteira, não significa que o país deixará de enviar seus talentos para fora.


                                         LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                          lincoln.consultoria@hotmail.com
                                             Advogado e mestre em Administração


            

terça-feira, 11 de abril de 2017

Vergonha de ser honesto

            Poxa vida! Nunca tantos roubaram tanto em tão pouco tempo. A impressão que se tem é que o Brasil está podre. Até para quem deveria zelar pelo uso do dinheiro não consegue se dar ao respeito. Refiro-me à prisão dos cincos Conselheiros do TCE do Rio de Janeiro. Para os rotuladores de plantão, um bando de inconsequentes e de canalhas.
            Dá pra acreditar? Claro que não. A prisão dessa turma foi quase um deboche. Todos agindo ao arrepio da lei. O que leva a citação feita por Ruy Barbosa ser cada vez mais atual: “O homem chega a rir-se da honra, desanimar-se de justiça e ter vergonha de ser honesto”.
            Aqui, mesmo sem bola de cristal, eu arriscaria afirmar que mais prisão vem por aí. As relações perigosas desses Conselheiros com o ex-governador Sérgio Cabral - trambiqueiro contumaz - eram sabidas até pelos postes da rua da cidade carioca.
            Não é exagero retórico asseverar, diante do quadro tão degradante, que é um escárnio, um descrédito aos Tribunais de Conta e uma tapa na cara do brasileiro honesto. Cuja prática não difere dos políticos corruptos: “Um pra eu, um pra tu”, como invoca a música do mestre Luiz Gonzaga.
            Lendo o noticiário, constatei que essa roubalheira ocorrida nesse tribunal, tem origem à falta de critério (sério) na escolha de seus membros. Pois seu presidente, Aloysio Neves, quando era jornalista e figura conhecida na noite carioca, foi preso em flagrante por tráfico de drogas. A polícia encontrou maconha, cocaína e seringas em seu apartamento. Ele sustentou que o flagrante foi forjado e acabou absolvido pelo Tribunal de Justiça. Decisão que até hoje é questionada.
            A sociedade só vai dar conta da gravidade da cultura da ladroagem e destruição de valores éticos quando são denunciados. O cidadão comum, por outro lado, revoltado porque trabalha correndo o risco de demissão, sem privilégios e tendo de sustentar essa turma.

                                           LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                            lincoln.consultoria@hotmail.com

                                                Advogado e mestre em Administração

terça-feira, 4 de abril de 2017

Terceirização do trabalho

            Há mais estridência que substância nas investidas feitas por aqueles que são contra a essa nova relação de trabalho. Como a economia brasileira precisa crescer - depois de sua estagnação nos últimos anos -, é necessário que haja uma flexibilização da nossa legislação trabalhista.
            Muitos, como eu, tentam explicar que a terceirização não significa o fim das leis trabalhistas. A empresa que fornece os terceirizados, por exemplo, é obrigada a seguir a regulamentação vigente. Mesmo assim, a oposição à tese da terceirização continua lutando contra, simplesmente por populismo, ignorância ou má-fé. Tal modalidade de trabalho é um fenômeno mundial, não uma invenção nacional.
            Dita de maneira mais coloquial, a terceirização é inevitável e será uma importante ferramenta de desoneração das empresas. Consequentemente, de geração de empregos. Ou seja: com menos encargos, elas podem contratar mais, sem tanto medo de pagar indenizações no futuro.
            Se há algo que me tira do prumo, me revolta, é a crítica sem qualquer fundamento, que foge da realidade - extemporânea. Digo isso porque: o Brasil é o país com o maior número de ações trabalhistas no mundo. A estimativa do Judiciário é que, a cada ano, 3 milhões de processos sejam ajuizados. Desse volume de novas ações trabalhistas, estima-se que de 30% a 40% estejam relacionadas de alguma maneira à terceirização. Em razão de não existir uma lei específica que trate do tema.
            Trapalhadas brasilienses à parte, agora, na última sexta-feira, o presidente Michel Temer sancionou o projeto de lei que regulamenta a terceirização no país. A medida faz sentido, foi na dose certa. Pois é grave miopia pensar diferente.  
            A lição a tirar é que o Brasil não pode esperar. Uma vez que a estrutura da CLT, da visão do pai protetor, está ultrapassada, não compete mais.

                                          LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                           lincoln.consultoria@hotmail.com
                                              Advogado e mestre em Administração


            

quarta-feira, 29 de março de 2017

Seja bem-vindo, meu neto

            Cresci ouvindo meu pai dizer que avô é pai duas vezes, tanto do filho quanto do neto. Essa sensação ficou mais forte agora com a chegada do meu primeiro neto, Adam Lopes Cartaxo. É pena que não pudesse curtir a sua chegada, mas a vovó Socorro viajou para Austrália com o propósito de acompanhar e registrar esse momento mágico ocorrido na última sexta-feira.
            A esta altura da vida, eu pensei que já tinha vivido muitas experiências e que não conheceria novas sensações. Aí então nasceu você, netinho Adam, para encher meu coração de felicidade e amor.
            Estou vibrando a poder brevemente segurar o meu lindo neto nos braços e renovar a emoção de ver a minha família crescer. Sua vida doravante está preenchida de amor, que a sua vida seja abençoada pela mais sublime das felicidades.
            Gosto sempre de assinalar que todos nós temos nosso ouro oculto, talentos e virtudes para realizar algo extraordinário. Assim peço a nosso bom Deus para que você lute na busca do seu ouro. Faça suas escolhas, busque aquelas que vão completá-lo, não aceite nenhuma escolha que o distancie de você mesmo. Prefira sempre sua verdade.
            Como disse santo Agostinho: “Ninguém faz bem o que faz contra a vontade, mesmo que seja bom no que faz”. Tenha liberdade, meu netinho Adam, de fazer suas escolhas. Sem missão sua vida fica como uma refeição sem gosto, um barco sem leme. Jamais deixe que as circunstâncias da vida dirijam seus caminhos. Ouça sua vocação. Faça o que seu coração manda. Seja fiel a sua essência.
            Saiba meu pequeno neto que a cada etapa da sua vida será uma vitória para mim. Quero ser um avô amigo e presente, apesar da distância que ora nos impõe. Decerto isso não será obstáculo, porque o amor que sinto por você não cabe sequer no meu coração.
Seja bem-vindo ao mundo, pequeno rebento de glória!


                             LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                              lincoln.consultoria@hotmail.com

                                  Advogado e mestre em Administração

terça-feira, 21 de março de 2017

Reforma da Previdência

            Não existe argumento que rebate a constatação de que o modelo atual de nossa Previdência é insustentável no tempo. Não há horizonte azul. Nos últimos anos, seus gastos cresceram exponencialmente e achataram demais as despesas.
            Temos que evitar o bate-boca ridículo e palanqueiro de que nada precisa mudar na Previdência. É pura hipocrisia. É liquido e certo que o Brasil envelheceu e esse processo vai se acelerar muito nas próximas décadas. Até 2025, a atual população de idosos deverá crescer 50% e, até 2050, será por 2,5 vezes maior que agora.  Com as regras atuais, será impossível manter pagamentos dignos de aposentaria para todos os brasileiros. Neste particular, não contam com a minha bênção. Temos que mudar!
            Na ponta do lápis, não tem outra saída. Sem as devidas mudanças, os benefícios previdenciários superariam 70% do orçamento público já em 2030. O Brasil gasta cerca de 12% do PIB com aposentarias, incluindo os pagamentos aos trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público. Chega uma cifra descomunal de R$ 740 bilhões. Trata-se de uma montante equivalente a mais de 11 vezes o orçamento de investimentos do governo federal.
            Não vamos maquiar a realidade como o politicamente burro faz. Ou seja, não podemos deixar de registrar que, embora a expectativa de vida dos brasileiros seja de 75 anos, na média, segundo o IBGE, os Estados do Nordeste – especialmente Maranhão, Piauí e Alagoas – ficam abaixo disso, por volta dos 68 anos.
            Convém notar, caso for implantado a idade mínima de 65 anos, ninguém irá se aposentar nessa região, todos morrerão no batente, sem direito a uma vida tranquila depois tantos anos de labuta.
            Não se sabe ao certo, por fim, como vai ficar a nossa Previdência, mas que vai mudar, com certeza que sim. É o desafio. O Brasil não pode esperar.


                                                 LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                  lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                                       Advogado e mestre em Administração



terça-feira, 14 de março de 2017

É outro Brasil

            Não tem coisa melhor do que viajar, conhecer o mundo, somar conhecimentos... Como se diz: viajar é mudar a roupa da alma. Pensando nisso, programei mais uma viagem com minha consorte Socorro. Agora, com destino ao Estado do Mato Grosso do Sul, particularmente à cidade de Bonito e ao Pantanal.
            É outro Brasil que é possível. Completamente diferente daquele que conhecemos: país periférico, desigual e injusto. Uma região cheia de oportunidades de investimento e desenvolvimento. A comparação é perceptível.
            Mas tem tudo haver, em razão da vocação natural para o agronegócio decorrente às suas características e diversidades, principalmente encontradas no clima favorável, no solo, na água, no relevo e na luminosidade. Não é por acaso que o referido Estado tem dado uma expressiva participação na economia, onde o Brasil já é primeiro produtor mundial de café, açúcar e laranja; primeiro produtor de cana e açúcar e líder na exportação de açúcar e etanol; primeiro exportador mundial de carne bovina e de aves e segundo produtor mundial de soja.
            Por outro lado, a cidade de Bonito vive um boom de desenvolvimento turístico.  Que lembra um pouco a cidade que nasci, Cajazeiras. Cada um na sua área, cada macaco em seu galho, cada gado em seu terreiro, cada rei em seu baralho.
O passeio pelas Cachoeiras Serra da Bodoquena é emoção e aventura para todas as idades. Uma beleza incomum. A luz do sol entra na gruta e reflete na água, causando um efeito sensacional. Confesso: eu me sentia naquela floresta o próprio Indiano Jones hollywoodiano. Já no Pantanal, salta aos olhos a perfeita harmonia com a natureza. O que garante a observação de várias espécies da fauna e flora pantaneira. Uma revoada de bando de asas-brancas nos proporcionou verdadeira aula de beleza e refrigério. Não se trata aqui joguete de adjetivos, mas de uma realidade inquestionável.
Daí que.., daí que o espaço acabou. Que pena!!!


                                            LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                             lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                Advogado e mestre em Administração




terça-feira, 7 de março de 2017

Oswaldão Pantaneiro

            Neste carnaval procurei me afastar completamente da folia. Pra isso, programei, juntamente com a minha consorte Socorro, uma viagem ao pantanal do Mato Grosso do Sul. Relato que farei na próxima semana.
            Na conexão do voo da citada viagem, em Brasília, eu encontrei no aeroporto meu amigo de colegial Fernando Andrade. Abraços fraternos de mais pura amizade, além das lembranças dos seus “causos” que sempre trazem o riso facilmente ao rosto da gente. Aproveitando a oportunidade, ele me contou a última do “Oswaldão Pantaneiro”- registrada pela sua filha Raquel Anderson.
            Com seu jeitão - ora rude, ora doce - Oswaldão era um sujeito instigante, com uma personalidade muito forte, com trejeitos e vocabulários pantaneiros. Numa ocasião de retorno ao consultório, seu médico (que já tinha uma excelente relação de amizade) encontrava-se de férias e era uma médica que o substituía.
            Haja sua esposa, dona Dodô, procurar o danado dos seus exames na bolsa de mão. Quanto mais ela virava a tal bolsa atrás dos exames, mais nervosa ficava. Oswaldão, por sua vez, suspirava, balançava a cabeça e comentava: -“Eeee mulher veia atrapalhada!! Não liga não doutora, ela é assim mesmo, não perde a bunda porque é grande e grudada!!”.
            Após todo esse frenesi, verificados os exames, a médica concluiu que Oswaldão teria que se submeter a uma intervençãozinha cirúrgica para tratar de uma orquiectomia (retirada do testículo). Muito bem, finalizou a conversa, com a cara amarrada e desconfiada, ele se levantou, limpou a garganta, e perguntou a médica: - “Doutora, por obséquio, a senhora tem pai?”. E ela: -“Tenho sim, e ainda é saudável, graças a Deus!”. E ele: -“Então a senhora faça o seguinte: vai capar seu pai, sua chata!”.
            P da vida, encerrou ali a conversa.


                                                           LINCOLN CARTAXO DE LIRA
                                                                 lincoln.consultoria@hotmail.com
                                                               Advogado e mestre em Administração